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Os acontecimentos a seguir se passam entre 4:00 P.M. e 5:00 P.M.

eventos ocorrem em tempo real.

Capítulo Um

04:00:20

O céu já adquirira um tom azul-esbranquiçado. Sob as sombras dos arranha-céus de Nova York, em uma avenida de mão dupla, um táxi amarelo saiu da faixa em andamento e parou ao lado direito da calçada (do ponto de vista do táxi). O barulho das buzinas nem era tão alto, pois o trânsito já estava mais tranquilo.

Um homem de camiseta e agasalho vermelho, aberto, saiu do táxi pela porta traseira. Fechou a porta, batendo forte, e puxou o capuz por cima da cabeça para que não vissem seu rosto.

Do outro lado da rua, atrás de um alambrado, um homem de cavanhaque olhou para Victor Aruz e disse em seu comunicador de ouvido:

— É ele.

No topo de um prédio próximo, um sniper ouviu o recado de seu parceiro e direcionou sua mira vermelha para a cabeça de Aruz. Victor Aruz olhou para os lados. O sniper colocou o dedo sob o gatilho e começou a pressioná-lo, quando um ônibus grande cobriu sua visão. Quando este saiu da frente, ele pôde ver Aruz dentro de um edifício velho à frente, fechando a porta e fazendo o sniper perder sua visão de tiro.

— Droga – ele disse – Não consegui atirar.

O observador atrás do alambrado olhou para o edifício de tijolo aparente e tranquilizou seu parceiro:

— Fique em posição. O pegamos quando sair.

Dentro do edifício, Aruz começou a subir as escadas. Não havia nenhum tipo de iluminação artificial dentro do prédio, apenas a luz do sol que entrava por uma janela coberta com uma cortina fina. Na base da escada, estava uma mulher fumando maconha. Aruz subiu mais um lance e passou por um homem desmaiado pela cocaína, ele subiu mais, sempre olhando para trás, e passou por Bob, um viciado de cabelos lisos, loiros e compridos que no momento estava sentado na escada, aquecendo sua heroína com papel alumínio e um isqueiro.

Aruz abriu uma porta de madeira com suas chaves e entrou em seu apartamento, tirou o capuz. Estava bem escuro, só dava para distinguir as formas das coisas ao seu redor, mas não para dizer o que elas eram.

— Manuel! – ele chamou.

Sem resposta.

— Ei, Manny!

Ele passou da sala para a cozinha. A mesa estava cheia de comidas com um pequeno abajur aceso. Pelo menos era mais claro daquele lado.

— Manny!

Ele continuou andando. Foi até o banheiro. O barulho do chuveiro chegou aos seus ouvidos. Ele viu uma banheira com uma cortina de plástico fechando o pequeno ambiente. Era o precário box. Ouvindo o barulho do chuveiro, Aruz abriu a cortina enquanto dizia:

— Ei, Manny!

Deitado na banheira estava Manuel com um buraco de bala na testa e sangue por todo lado. Victor Aruz deixou o corpo cair na parede atrás dele. Rapidamente, tirou a pistola que estava presa na sua calça. Pegou o celular no bolso e correu para a janela. Teclou um número no celular e encostou-o ao ouvido. Pela única fresta da cortina ele espiou a rua. Nada de incomum.

— Sim? –disse uma voz feminina do outro lado.

— Deixe-me falar com o Mauricio – Aruz pediu.

— Victor – disse uma histérica colombiana do outro lado.

— Passa pro Mauricio! – Aruz insistiu.

A colombiana estava num supermercado. Ela olhou para o corpo de Mauricio caído no chão, rodeado por policiais e informou:

— Ele está morto.

— O quê?!

— Alguém atirou na cabeça dele. O que diabos está acontecendo? – ela perguntou assustada.

Aruz desligou, espantado e correu para a porta. Abriu-a, apontando a arma para frente e continuou andando. Verificou se não havia ninguém nas portas dos outros apartamentos, sempre com a pistola empunhada.

O observador atrás do alambrado estava olhando para o jornal em sua mão. Não que ele estivesse lendo, mas era o seu disfarce para não levantar suspeita. Ele olhou para a porta do prédio de tijolos. Ela se abriu e um homem de agasalho vermelho com capuz saiu do prédio.

— Estou vendo ele. Está saindo do prédio.

O sniper posicionou-se e informou:

— Estou pronto.

Olhando pela mira, ele apontou para o capuz vermelho e viu o homem levantar a mão pedindo um táxi. O sniper colocou o dedo do gatilho e preparando-se para atirar, viu o homem de capuz se virando na direção dele e percebeu que ele tinha cabelos loiros, lisos e longos.

— Pare – o observador ordenou no comunicador de ouvido.

O sniper rapidamente esticou o dedo que estava sob o gatilho. Um táxi parou e Bob começou a entrar.

— Não é ele – disse o observador, olhando ao redor – Não pode estar longe.

Victor Aruz socou o vidro do motorista com a mão protegida pelo agasalho. O vidro se estilhaçou e um alarme começou a tocar no carro. Ele estava na lateral do prédio antigo, tinha saído por outro lugar e agora estava roubando aquele veículo estacionado.

Colocando a mão dentro do carro, Aruz puxou a trava e abriu a porta, sentando no banco do motorista. Ele se inclinou e arrancou a tampa da parte de baixo do painel abaixo do volante. Vários fios caíram. Ele juntou dois e encostou rapidamente, produzindo pequenas faíscas. O carro entrou em ignição. Fechou a porta e pisou no acelerador.

O observador viu um carro saindo pela lateral do edifício a grande velocidade, cortando a avenida, indo por outra rua menor. Ele começou a correr em direção ao carro, enquanto avisava.

— Indo em sua direção. Em um sedan cinza.

O sniper posicionou-se, mirou no vidro do lado do motorista do carro que vinha em sua direção. Apetou o gatilho. Aruz foi atingido no ombro e deu um pequeno grito, sem parar de dirigir. Ele viu que ia bater em um caminhão estacionado, então virou rapidamente e continuou em frente. Dispararam novamente, dessa vez errado.

Aruz percorreu mais alguns metros e com uma rápida manobra, virou a posição do carro em cento e oitenta graus, fazendo-o derrapar um pouco. O sniper disparou, acertando o porta-malas. Ele acelerou novamente e começou a voltar pela rua. O observador tirou sua pistola e começou a disparar contra Aruz. Este também pegou sua pistola e sem parar de dirigir esticou o braço e atirou no observador. Ambos disparar umas oito vezes, nenhum acertou. Aruz virou o carro na avenida e desapareceu, enquanto o observador dava mais tiros, sendo que um acertou o vidro traseiro.

O observador deu um soco no ar, raivoso. O sniper, calmamente anunciou:

— O alvo está fora de alcance.

— Saia daí – o observador pediu e foi para trás de um caminhão estacionado.

Ele pegou seu celular e teclou três números.

— 911, qual a sua emergência? – perguntaram.

— Eu quero informar o roubo de um carro. Placa SNE-15C5.

Num apartamento no Hotel Chelsea, Teri, uma garotinha de quatro anos, loira, de cabelos lisos e curtos, assistia a um desenho animado na TV de LCD. Ela estava em cima de seu avô que dormia no sofá. Segurava um ursinho polar de pelúcia e ria com o programa da televisão.

Seu avô, Jack Bauer, tinha cinquenta anos, mas aparentava um pouco menos. Era alto, de cabelos bem curtos (nada na testa), lisos e loiros. Seus lábios eram pequenos e ligeiramente voltados para baixo, o que lhe dava um aspecto sombrio e zangado. Tinha porte atlético. Seu rosto bronzeado e seus pequenos olhos azuis completavam a descrição de Jack Bauer.

Teri olhou para seu avô e encostou o urso polar na cabeça dele. Assustado, Jack acordou rapidamente.

— Jack – ela disse.

Ele a fitou e viu-a sorrindo de forma meiga. Devolveu-lhe o sorriso.

— Querida, nós já falamos sobre isso, se lembra? Você deve me chamar de vovô.

— Você não parece um vovô – ela disse.

Jack sorriu novamente.

— Não poderia concordar mais com você.

Apesar de ter rido bastante com o desenho da TV, ela disse:

— Esse desenho é chato.

— Tudo bem, vamos achar outro – Jack disse, pegando o controle remoto.

Ele mudou de canal e passou a um programa sobre aeroportos. Passou ao próximo canal e parou, curioso. Era um telejornal, mostrando um homem conversando com uma mulher. A mulher estava em Nova York e o homem em Washington.

— Essa é a iniciativa diplomática mais relevante da geração – disse o homem – Poderia finalmente servir de base para a paz em toda a região.

— Sabe, Larry – a mulher comentou – a presidente certamente aposta seu legado no sucesso dessas negociações.

— Vovô, isso não é desenho! – Teri gritou, apontando para a tela.

Jack sorriu e disse:

— Tudo bem.

Mudou de canal passando a um documentário sobre bactérias. Mudou de novo e estava em um desenho sobre ursos.

— Esse! – ela gritou, com o dedo na direção da tela – Eu gosto desse!

O desenho estava tocando uma musiquinha bem infantil. Jack esticou o indicador e contorcendo-o, levou-o na direção de Teri, fingindo que seu dedo era uma minhoca. Teri riu e segurou a mão do avô. O celular começou a tocar. Jack pegou-o na mesa à sua frente e ainda deitado atendeu:

— Sim?

— Oi, pai. Desculpa o atraso – Kim Bauer disse, sentada no banco do copiloto no carro de seu marido, Stephen. Stephen dirigia pelas ruas de Nova York. Era um mulher de cabelo loiro bem claro e olhos brilhantes – Estão redirecionando o trânsito perto da ONU.

— Sem problemas, estamos bem.

— Como foi o zoológico?

— Sinceramente, nós ficamos indo e vindo das jaulas dos ursos negros aos ursos polares.

Kim sorriu e constatou:

— Eu esqueci de avisar que ela está numa fase de ursos.

— Ela sabe o que quer – Jack disse, vendo Teri sorrir – Me lembra você.

— Isso é engraçado. Sempre falo pro Stephen o quanto ela me lembra você. Bem, de qualquer forma, estaremos aí em alguns minutos.

— Tudo bem, não se preocupe. Nos encontramos no saguão.

Kim desligou. Ao seu lado, Stephen comentou:

— Parece que se divertiram.

— Eles sempre se divertem – Kim disse, olhando para fora do carro.

Stephen percebeu a preocupação dela e perguntou:

— Qual o problema?

— É que quando chegamos, nós falamos para ele ir morar em Los Angeles.

— Sim, e ele disse que ia pensar.

— É, mas ele não comentou nada ainda. E vamos embora hoje à noite.

— Talvez, ele ainda precise falar com os médicos.

— Não, eles o liberaram há duas semanas. O tratamento acabou... Não sei, não... Meu pai está tão solitário há tanto tempo. Talvez não saiba viver de outra forma.

— Por que você não pergunta de novo? – Stephen sugeriu.

— Meu pai não é o tipo de pessoa para quem se pergunta duas vezes.

— Se você quiser, eu pergunto – Stephen disse , olhando para sua esposa. Kim retribuiu o sorriso e ele olhou para frente, continuando a dirigir.

06:06:18

Em frente ao edifício-sede da ONU, um repórter anunciava com o microfone próximo à boca enquanto seu câmera filmava:

— Aqui, na Organização das Nações Unidas, um porta-voz da Casa Branca confirmou que a Presidente Taylor e o Presidente Hassan farão uma coletiva de imprensa ainda nessa hora. Todos esperam que o Presidente Hassan anuncie a finalização de seu programa de armas nucleares. O Presidente Hassan diz considerar essas negociações como um sucesso histórico e um novo começo para seu país e todo o Oriente Médio.

Na sala de negociações da ONU, uma sala redonda com quatro grandes mesas curvas na parte mais externa e uma mesa quadrada ao centro, estava a Presidente Allison Taylor sentada de um dos lados da mesa junto com seu Secretário de Estado, Ethan Kanin. A Presidente Taylor tinha uma altura mediana e cabelos grisalhos lisos e brilhantes que iam até os ombros num penteado bem conservador. Vestia um vestido roxo longo e um sobretudo da mesma cor e tonalidade. Tinha posição confiante e conseguia mascarar sua idade com todos os tratamentos de dieta a qual era submetida. Já Ethan Kanin com certeza não mascarava sua idade, pois possuía um rosto ovalado cheio de rugas por toda a parte. Olhos pequenos e cabelo branco bem penteado. Usava terno como qualquer político homem o fazia.

A Presidente Allison Taylor disse aos dois representantes da República Islâmica do Kamistão:

— Eu acredito que seja um acordo justo. E, Senhor Presidente, vamos prosseguir para o assunto da verificação. A linguagem em sua última proposta é... vaga.

Do outro lado da mesa, o Presidente kamistanês Omar Hassan respondeu com um inglês com sotaque:

— Deixe-me ser claro. Meu país concorda em abandonar a busca por armas nucleares usando a Agência Internacional de Energia Atômica.

Omar Hassan também vestia terno. Tinha um rosto quadrado e um cavanhaque com bigode. Seu cabelo era curto, porém volumoso, criando nele uma espécie de topete. Tinha rosto moreno, sobrancelhas espessas e o início de costeletas. Em seu dedo anelar uma aliança. Omar Hassan colocou seus óculos de leitura, esperando a resposta da presidente americana.

— Mas as nossas condições, Senhor Presidente, eram que os inspetores fossem americanos, não da AIEA.

Farhad Hassan, irmão e Chefe de Gabinete de Omar Hassan, interviu rapidamente.

— Com todo o respeito, Senhora Presidente, vocês pediram, mas nós nunca aceitamos.

Farhad Hassan era uns quinze anos mais novo que o presidente. Tinha cabelos negros bem compridos e uma barbicha debaixo dos lábios. Dentes alvos, nariz arrebitado.

— Com todo o respeito – Ethan Kanin, Secretário de Estado americano, retrucou – vocês se recusaram a negociar nesse ponto com boa fé. Sem americanos no terreno—

— Vamos deixar a nacionalidade de alguns— disse Farhad, interrompendo, mas logo foi interrompido novamente por Ethan Kanin.

— A verificação não nos tem valor – Ethan disse, completando sua frase anterior.

— Então vocês só confiam nos Estados Unidos, Senhor Secretário? – Farhad perguntou aumentando o tom de voz – Essa é a mensagem que vocês passam para o resto do mundo? Por isso não queremos negociar—

— Farhad – Omar Hassan disse, sem gritar, porém com autoridade. Farhad Hassan silenciou-se – Senhora Presidente, desculpe a persistência do meu irmão. Ele só quer o melhor para o nosso país.

— Eu entendo – Allison Taylor disse calmamente – Mas precisamos resolver isso antes de continuarmos. De preferência, antes da coletiva de imprensa. O que nos dá menos de uma hora.

— Senhora Presidente – Omar Hassan falou com preocupação – o que seu congresso diria se minha Guarda Revolucionária estivesse em seu solo?

A presidente entendeu o que o presidente do Kamistão queria dizer. Ele continuou:

— A minha Assembleia Nacional tem a mesma opinião. Mesmo que eu concordasse com isso, eles não concordariam. Afinal, eu não sou um rei.

A Presidente Taylor sorriu e respondeu:

— Nem eu uma rainha.

— Que pena para nós – Omar Hassan comentou.

Ambos sorriram. A presidente preparou-se para deixar a sala e disse:

— Eu gostaria de adiar esse assunto e discuti-lo junto com as nossas respectivas equipes.

— É claro – Omar Hassan concordou, tirando os óculos de leitura.

Todos na sala se levantaram. A Presidente Allison Taylor saiu pelas duas portas da sala que foram abertas ao mesmo tempo por dois agentes do Serviço Secreto. Ethan Kanin alcançou a presidente e comentou:

— Sabia que ele foi vendedor antes de entrar para a política? Utensílios para casa.

— Quer apostar que ele vendeu muitas geladeiras? – a presidente perguntou, sorrindo.

Ethan deu uma risadinha. Séria, porém, Presidente Taylor pediu:

— Ache uma maneira de dar-lhe o que ele quer.

— Mas, Senhora Presidente... – Ethan objetou, preocupado.

— Você me ouviu. Tente fazer as inspeções funcionarem.

Os dois olharam para a sala redonda. Lá dentro, eles podiam ver Farhad e Omar discutindo algum assunto do tratado.

— Um líder assim não se tem sempre – a presidente avisou – E ele já suspendeu o apoio a organizações terroristas e, pessoalmente, está defendendo a solução de dois Estados. Não podemos esperar que ele se arrisque muito mais.

A presidente saiu andando, deixando Ethan Kanin absorto em seus pensamentos. Ethan olhou para a sala e viu o presidente da RIK (República Islâmica do Kamistão) abandonando a sala por outra porta.

No saguão do Hotel Chelsea, as portas do elevador fizeram um som agudo e começaram a se abrir, revelando Jack Bauer, que usava camiseta cinza escuro, jaqueta de couro preta e jeans, carregando uma bolsinha vermelha numa mão e a dona da bolsa, que estava segurando na outra mão de Jack e carregava o urso polar de pelúcia.

04:09:22

Eles saíram do elevador. Jack parou e agachou-se de frente para Teri.

— Venha cá – ele pediu.

Ele começou a ajeitar o agasalho dela, enquanto perguntava:

—Você já deu um nome para ele?

— Urso – ela respondeu.

— Urso – Jack repetiu, sorrindo.

— Ali está ela – uma voz feminina disse atrás de Jack – Oi!

Jack Bauer olhou para trás e viu Stephen e Kim na porta do hotel, vindo na direção deles. Teri saiu correndo ao encontro de sua mãe. Kim se agachou e pegou Teri no colo.

— Ei – ela disse sorridente, enquanto seu pai chegava perto deles – Eu fiquei sabendo que você e o vovô foram ver os ursos.

Teri acenou positivamente coma cabeça e completou:

— Depois nós tomamos sorvete, mas eu não gostei do meu, então o vovô me deu o dele.

— Isso é legal! – Kim comentou, entregando Teri no colo de Stephen.

— Obrigado por ficar com ela – Stephen agradeceu.

— Claro – Jack respondeu.

Jack aproveitou que Stephen e Teri estavam conversando e se aproximou de Kim. Ele entregou-lhe a bolsinha vermelha e disse:

— Escuta, eu pensei muito sobre o que nós conversamos.

Kim acenou com a cabeça, indicando para que seu pai continuasse.

— Eu já me decidi. Eu quero voltar para Los Angeles com vocês.

— Sério?! – Kim exclamou, achando aquilo inacreditável.

— Sim. Eu tenho um amigo que tem uma companhia de segurança particular. Ele disse que eu posso dar consultoria. Ele também pode me arranjar moradia.

— Pai, eu não sei o que dizer – Kim falou com um largo sorriso – Estou tão feliz.

— Venha cá – Jack disse, abraçando-a bem forte.

Ambos sorriam e quando se separaram, Jack avisou:

— Você não precisa dizer nada, é só me levar até o aeroporto.

— Você vem com a gente hoje à noite?

— Se estiver tudo bem.

Kim virou-se e viu seu marido agachado, conversando com Teri.

— Stephen, ele vem com a gente hoje à noite.

Stephen se levantou surpreso.

— Na verdade, eu ainda tenho que arrumar minhas coisas. Nada demais. Chego ao hotel em uma hora.

— Parece perfeito – Stephen comentou – Também precisamos voltar e terminar de arrumar as coisas.

Jack agachou-se e perguntou bem alto:

— Eu posso voltar para Los Angeles com vocês?

— Viva! – Teri gritou, correndo para o colo de seu avô. Jack levantou-a e gritou também:

— Viva!

Todos riram e Jack disse:

— Vamos, eu levo vocês até o carro.

— Tudo bem, vamos – disse Kim.

Eles começaram a caminhar em direção à porta do hotel. Todos sorriam, inclusive Jack. Um homem abriu a porta do saguão e eles passaram.

— Eu levo ela – Jack disse.

— Tudo bem – Kim confirmou.

Stephen foi até o carro azul estacionado na sarjeta e deu a volta, entrando pela porta do motorista. Kim entrou pela porta do copiloto. Jack abriu a porta traseira e colocou Teri lá atrás, fechando o cinto de segurança dela. Havia um clima de alegria e satisfação entre todos.

— Pronto.

Jack fechou a porta traseira e foi até a parte da frente. Ele agachou-se na janela ao lado de Kim e sorriu.

— Eu estou tão feliz que você esteja fazendo isso – Kim disse.

— Eu também – Jack concordou. Ele beijou sua filha e vice-versa – Te amo.

— Eu te amo – ela também disse.

Jack levantou-se e avisou:

— OK, pessoal, vejo vocês em uma hora.

— Tchau – Stephen disse, despedindo-se.

— Tchau, querida! – Jack disse, acenando para Teri.

— Tchau! – ela respondeu alegre.

Do outro lado da rua estava um carro estacionado. Dentro dele, Victor Aruz colocou a mão sobre o ombro baleado e pressionou. Olhou para Jack Bauer. Ele estava acenando e entrando no hotel. Victor Aruz olhou para o banco do copiloto ao seu lado e pegou alguns jornais que tinha encontrado. Colocou os jornais dentro da camiseta, no lugar onde havia sido atingido. Pegou também a pistola e colocou-a na cintura da calça jeans. Abriu a porta do carro e saiu.

04:11:26

Capítulo Dois

04:17:22

Naquele momento, as bandeiras de diversos países balançavam em frente ao prédio da ONU, onde dentro, nos andares mais superiores, Omar Hassan lia um relatório com seus óculos de leitura na sua suíte com janela totalmente panorâmica para os arranha-céus de Nova York. No carro de Stephen, Kim Bauer estava sentada no banco do copiloto, sorrindo, feliz por saber que seu pai iria se unir a eles.

Rob Weiss, Chefe de Gabinete da Presidente Taylor, andou até um pequeno palanque no saguão da ONU, onde vários repórteres esperavam com câmeras, filmadoras, microfones e gravadores. Atrás dele, estava uma grande estrutura de metal presa à parede, que simulava um mapa-múndi apenas com a cor do metal. Usava paletó e gravata amarela. Tinha altura mediana, olhos atentos e queixo quadrado.

— Boa tarde a todos – ele disse cumprimentando-os – Boa tarde. Certo, algumas coisas antes de começarmos. A Presidente Taylor e Hassan farão um pronunciamento depois de serem introduzidos pelo Secretário-Geral. Perguntas e respostas a seguir. Mas eu gostaria que fizessem apenas perguntas relativas ao assunto. Obviamente estamos operando com medidas de segurança, então, a menos que queira descobrir como é um estrangulamento, deixem as credenciais visíveis o tempo todo. Certo? Isso é tudo.

Ninguém tirou fotos, nem fez perguntas, enquanto Rob Weiss saía de cima do palanque e entrava na sala de negociações.

Meredith Reed estava logo na entrada da ONU. Ela mostrou seu cartão de imprensa que estava pendurado em seu pescoço.

— Meredith Reed, imprensa – ela disse, se identificando.

Um segurança pegou um leitor magnético e passou várias vezes por cima do cartão, sem ouvir o som de confirmação do leitor.

— Está inválido – o segurança informou.

— O quê?! – Meredith perguntou, olhando ao seu redor. Vários diplomatas passavam pelos scanners e detectores de metais ao lado dela – Não pode estar inválido. Pode verificar novamente.

— Já fiz isso, senhora. Sua credencial foi revogada.

Meredith era uma mulher baixinha, de quarenta anos, cabelos loiros, nariz aquilino, sorriso alvo.

— Revogada por quem? – ela perguntou.

— Eu não tenho essa informação.

— Ah, mas deve ser algum engano. Você se lembra de mim. Estive aqui todos os dias.

— Por favor, afaste-se, senhora – o homem disse em tom imperativo.

Em sua suíte, o Presidente do Kamistão Omar Hassan, continuava lendo um relatório que havia recebido. As portas foram abertas e Farhad Hassan entrou, informando rapidamente:

— Acabei de falar com o Secretário de Estado Kanin. Ele concordou com os inspetores da AIEA

— Essas são boas notícias – Omar disse, feliz.

— Com uma condição – Farhad falou, não compartilhando do mesmo otimismo do irmão – Insistem que o chefe da equipe de verificação seja americano.

Omar Hassan tirou os óculos e depositou-os na mesa junto com o relatório.

— Acho que podemos viver com isso. Não acha?

— Você sabe a minha posição. Já abdicamos demais em nome da paz.

— Abdicar é uma palavra forte – Omar disse em tom repreensivo - E o que você abdicou mesmo? Além de nossa ambição nuclear?

— E não é o suficiente?

— Gerar seis mil centrífugas é uma boa manobra política. Mas está empobrecendo o nosso país. A verdade é que não estamos sendo muito generosos. A Presidente Taylor vai suspender as sanções monetárias. E vai oferecer ajuda econômica de bilhões de dólares. Temos tudo o que queremos, Farhad.

Ainda cético, o irmão e Chefe de Gabinete de Omar Hassan disse:

— Se isso não for um golpe.

O celular de Omar Hassan começou a tocar. Farhad se afastou em respeito, enquanto o presidente atendia o celular:

— Alô?

Na calçada em frente à ONU, Meredith Reed disse:

— Oi, desculpe incomodá-lo com algo tão banal, mas eu estou presa do lado de fora.

— Presa?

— Minha credencial foi revogada. Eu não sei o que aconteceu.

— Vou cuidar disso – Omar prometeu a Meredith.

— Tem certeza?

— Claro.

— Obrigada. Você ainda tem tempo para aquela entrevista mais tarde?

— Sim, depois da coletiva de imprensa.

— Estou ansiosa, Senhor Presidente.

— Eu também.

Omar Hassan finalizou a ligação e virou-se para seu irmão. Fechando o paletó, pediu em tom calmo:

— Libere a credencial da Srta. Reed.

— Mas eu estava só—

— Apenas faça.

— Omar... Estão começando a falar sobre você e essa repórter – Farhad disse, preocupado.

— E o que eles estão dizendo? Ahn? A Srta. Reed é jornalista e ela está me entrevistando para o jornal.

— Mas você tem sentimentos por ela – Farhad sussurrou.

— Eu sou apenas amigável com ela. Pense o que quiser. Essa mulher não representa uma ameaça a mim ou ao processo de paz.

— Aqui, talvez não. Mas no nosso país, você será criticado. Os eruditos dirão que você foi corrompido pelo Ocidente.

— E o que você diz, Farhad? – Omar perguntou um pouco irritado – Eu fui? Eu fui corrompido pelo Ocidente?

— Você sabe que eu não penso isso... Mas você é casado.

— Dalia não é minha esposa há um longo tempo.

— Isso não justifica o comportamento impulsivo – Farhad disse, tentando convencer Omar a qualquer custo.

— Não fiz nada impulsivo! Eu... não fiz nada impulsivo.

Farhad se assustou com o tom de voz do presidente da RIK.

— Apenas resolva o problema da credencial da Srta. Reed.

Farhad respondeu baixinho e submisso:

— Vou fazer isso.

Enquanto abandonava a suíte, Omar Hassan foi até sua mesa e sentou-se, imerso em seus pensamentos.

Jack estava na sala de TV de seu apartamento no Hotel Chelsea, arrumando suas malas. Ele colocou duas camisetas dentro de uma mala de tecido. Bateram na porta.

04:21:14

Levantou-se num sobressalto e começou a caminhar até a porta. Jack Bauer olhou pelo olho mágico da porta e abriu apenas uma fresta, colocando sua cabeça nesse espaço e viu Victor Aruz ofegando. Demorou algum tempo para reconhecê-lo, mas por fim disse:

— Victor. O que você faz aqui? E como diabos me encontrou?

— Oh, eu sempre tive recursos, Jack. Era disso que você gostava em mim.

Jack pensou um pouco e pediu:

— Entra aqui. Senta.

Ele pegou Victor pela camiseta e puxou-o para dentro do apartamento, jogando-o numa cadeira, deixando-o cair sentado. Jack rapidamente fechou a porta e trancou-a. Observou que Victor estava bem ferido.

— O que aconteceu? – ele perguntou.

— Preciso de ajuda.

— Você precisa é de uma ambulância.

— Não, não ligue. É isso que ele quer. Ele monitora as linhas de emergência.

— Quem? – Jack perguntou.

— Apenas escute, Jack. Eu tenho informações.

— Tudo o que eu posso fazer por você, Victor, é te conseguir uma ambulância. Eu estou fora, não trabalho mais pro governo.

— Mas isto você vai querer ouvir – Victor Aruz afirmou, confiante.

Jack respirou fundo. Impaciente, perguntou ao homem que entrara em seu apartamento:

— Por quê?

— Por quê? – Victor disse, abrindo um sorriso – Porque você é o cara que sempre faz a coisa certa.

O ex-agente federal olhou profundamente para os olhos de Aruz e acenou com a cabeça, num sinal para que ele continuasse.

— Tem uma grande conspiração acontecendo – Victor informou.

— Em quem?

— Presidente Hassan, na ONU, ele vai ser morto.

— Quando?

— Hoje. Antes de assinar esse negócio com a Taylor.

Jack arregalou os olhos, preocupado. Victor percebeu o interesse de Jack e comentou:

— Viu? Falei que você ia gostar.

— Como você sabe disso.

— Fui eu quem trouxe o assassino para o país. E forneci o que ele precisava.

— Então ele tentou te matar – Jack deduziu.

— Jack, você é o único na CTU (Counter Terrorism Unit – Unidade Antiterrorismo) com quem eu já fiz negócios. Preciso que você ligue para eles para que eu possa conseguir um acordo.

Jack não respondeu.

— Qual é, Jack – Victor reclamou se levantando.

Jack o empurrou de volta para a cadeira.

— Fica sentado.

— Eu juro, isso é real. Alguém está tentando garantir que esse Acordo de Paz não aconteça.

— Eu não vou fazer nada até você me dar sua arma.

Victor endireitou-se na cadeira e tirou sua pistola da cintura do jeans. Estendeu-a para Jack, segurando-a no cano, deixando a arma apontada para si mesmo. Jack arrancou a arma de Victor e empurrou-o contra a cadeira, colocando o cano da arma na base do pescoço de Victor Aruz.

— É bom você não estar me sacaneando – Jack avisou.

— Não estou, eu juro, eu não estou – Victor disse, assustado.

— Quem é o assassino? Qual o nome dele? – Jack perguntou e ao não ouvir resposta imediata, berrou bem alto – Quem é o assassino?!

— Eu não sei o nome dele. É russo, ou algo do tipo.

— Não é o suficiente. Quem é o atirador?!

— Olhe, eu sei como encontrá-lo e impedir que consiga fazer o assassinato. Eu não vou dizer mais uma palavra até conseguir meu acordo.

Jack olhou nos olhos de Victor com raiva. Se ele ainda trabalhasse para o governo com certeza torturaria Victor até ele dizer o nome do assassino, mas não era o caso. Jack se afastou de Victor e expressou seus pensamentos com a frase:

— Sorte sua que eu estou aposentado.

Uma SUV começou a reduzir a velocidade pelo túnel da CTU. Ela parou bem no grande quadrado branco com a inscrição “Pare”. O túnel era bem comprido, iluminado e arejado por alguns ventiladores que se conectavam com a superfície.

04:23:12

A porta do copiloto foi aberta e Cole Ortiz saiu do carro, usando uma roupa totalmente preta. Cole era bem alto, musculoso, tinha cabelo negro cortado em máquina dois, rosto quadrado e grandes cavidades oculares. Ele foi até a porta de vidro com a inscrição “CTU” e esta se abriu lateralmente de ambos os lados. Ortiz passou pela recepção e pegou um celular, dizendo rapidamente, enquanto se movia para o Bullpen:

— Aqui é Cole Ortiz – disse o Diretor de Operações de Campo da CTU - Mova a equipe do Singer para o quadrante nordeste e diga que eu quero atualizações a cada quarto de hora. Retorne com a confirmação.

Ao desligar, uma moça nos seus trinta anos se aproximou de Cole, usando um vestido preto justo. Tinha um rosto muito bem desenhado com longos cabelos lisos e loiros.

— Hastings quer que você aumente o perímetro da ONU para 400 metros.

— Gostaria de fazer isso – Cole confessou – mas mal consigo manter o perímetro atual.

— Vou ver se consigo a NYPD para ajudar – ela disse, virando-se e afastando-se.

— Dana? – Cole Ortiz chamou.

Dana Walsh, Analista-Sênior de Dados da CTU, virou-se e chegou perto dele, olhando-o com curiosidade.

— Minha irmã me disse que te deixou algumas mensagens horas atrás. Algo sobre os vestidos das damas de honra. Eu disse que devia ser algum problema com o seu correio de voz.

Dana sorriu e respondeu, colocando a mão na testa:

— Eu recebi as mensagens, só não tive tempo de respondê-las. Esses turnos duplos...

Um agente de campo chegou perto dos dois e informou a Cole:

— Revisei os protocolos das patrulhas da ONU. Achei que quisesse conferir – ele disse e entregou a Cole uma prancheta.

— Sim, sim, quero conferir.

Quando o agente se afastou, Dana sorriu e falou:

— Vou ligar para a sua irmã, prometo.

— Valeu – Cole agradeceu, saindo, enquanto lia os protocolos na prancheta.

Em sua mesa com computador, Chloe O’Brian bateu no teclado com as duas mãos. Chloe tinha trinta e cinco anos, rosto redondo, pele branca, olhos verdes, nariz pequeno, cabelos castanhos lisos não muito longos e lábios curtos e finos. Em sua orelha, um comunicador com microfone e alguns botões.

— Droga! Qual é o problema? – Chloe se perguntou, batendo mais uma vez no teclado.

Dana Walsh ouviu o barulho e se aproximou por trás de Chloe, enquanto ela batia mais uma vez no teclado.

— Manutenção por força bruta?

Chloe O’Brian girou sua cadeira e olhou para Dana, assustando-se com a intromissão dela.

— É como o meu professor falava quando eu batia no computador. Posso ajudar? – Dana disse, se oferecendo.

Claramente envergonhada por precisar do auxilia de alguém Chloe informou:

— Eu acabei de receber a lista revisada dos convidados para a coletiva de imprensa. Eu não consigo terminar o reconhecimento facial a tempo.

Dana Walsh olhou par a fina da tela do computador que estava debaixo de uma outra tela de vidro e viu que apareciam uma foto com várias pessoas e que cada rosto de pessoa piscava individualmente.

— É que você está rodando uma pessoa por vez – Dana explicou – Você pode rodar em grupos.

— Não quando os dados estão em formatos diferentes – Chloe reclamou.

— Isso já foi verdade, mas veja.

Dana debruçou sobre a mesa e teclou alguns atalhos, enquanto Chloe observava-os e tentava decorar. Em cinco segundos, todos os rostos começaram a piscara ao mesmo tempo, enquanto o computador fazia o reconhecimento facial.

— Não há razão para ficar com vergonha de pedir ajuda, certo? Não se preocupe, você vai se acostumar. Está indo bem.

O telefone de Chloe começou a tocar.

— Com licença.

Dana se afastou e Chloe apertou um botão em seu comunicador e disse, se identificando:

— O’Brian.

No apartamento de Jack, Victor Aruz já tinha tirado o agasalho e arregaçado as duas mangas da camiseta. Jack estava ajudando-o a terminar de colocar vários panos brancos em volta do ferimento no ombro, perto do braço esquerdo. Em cima da mesa, estavam vários papéis ensanguentados.

Jack se afastou de Aruz e foi até a grande janela do apartamento, dizendo em seu celular:

— Chloe, é o Jack.

— Jack, como está a Kim? Você contou a ela sobre LA?

— Sim, mas não posso falar sobre isso agora. Preciso falar com o diretor.

Chloe se levantou de sua cadeira e informou:

— O Sr. Hastings está no telefone e ele não gosta nem um pouco de ser interrompido.

— Bom, diga a ele que se trata de um plano de assassinato ao Presidente Hassan. Veja se atrai a atenção dele.

— Oh, certo, espere.

Chloe caminhou pelo Bullpen, passando por várias mesas com vários computadores e telões com imagens projetadas na parede. Ela foi até a escada e começou a subi-la enquanto em um escritório totalmente de vidro, estava o Sr. Hastings no telefone.

Brian Hastings tinha um metro e noventa, pele negra, cabelo preto encaracolado bem curto, comunicador na orelha, terno caríssimo, era corpulento e tinha um bigode e também um cavanhaque.

— Eu quero uma imagem da ONU, vista do oeste – Hastings pediu pelo comunicador.

A imagem que ele tinha pedido apareceu na tela de seu laptop.

— Agora, sobreponha com a distribuição das equipes de segurança, por favor.

Chloe O’Brian abriu a porta de vidro do escritório do diretor e entrou, esperando parada.

— Parece bom – Hastings comentou no comunicador.

— Algo mais, senhor? – a voz no outro lado da linha perguntou.

Hastings percebeu a presença de Chloe na sala e disse:

— Me dê uma cópia dos relatos de incidentes e imagens do satélite.

— Com licença, Sr. Hastings – Chloe pediu.

— Gary, aguarde por um segundo – Hastings disse no comunicador e olhou furioso para Chloe.

— Jack Bauer está na linha 3 – Chloe informou – Ele disse que precisa falar com o senhor.

— Bauer?

— É sobre uma conspiração ao Presidente Hassan. Ele achou eu você atenderia a ligação.

Hastings pensou por alguns segundos e apertou um botão d e um mini controle remoto em sua mão.

— Gary, eu te ligo de volta – ele disse, desligando.

Diferentemente de todos na CTU, Hastings usava um pequeno controle para coordenar os telefonemas que ele iria atender. Hastings foi até sua mesa e apertou o número três no telefone:

— Sr. Bauer, aqui é o Sr. Hastings.

— Sr. Hastings, eu estou com um informante que sabe algo sobre uma tentativa de assassinato ao Presidente Hassan que ele disse estar programada para acontecer hoje.

— Nós recebemos inúmeras ameaças referentes à Conferência de Paz.

— Imagino. O nome do meu informante é Victor Aruz. Eu o usei na Operação Salazar. Deve ter acesso ao arquivo dele.

— Espere um pouco – Hastings disse, enquanto Chloe sentava-se na mesa do diretor e começava rapidamente a pesquisar pelo nome Victor Aruz.

— Ele foi baleado perto do braço, supostamente pelo assassino. Olhe, eu acho que não deveriam fazer pouco caso disso.

— E o que o Sr. Aruz quer em troca das informações?

— Proteção e imunidade de CTU.

— É um pedido alto, Sr. Bauer.

— Já verificou o arquivo – Jack perguntou, pois tinha certeza de quando Hastings visse o selo de ALTAMENTE CONFIÀVEL, iria com certeza ficar com o Aruz.

Hastings olhou para Chloe e viu-a, apenas teclando no laptop.

— Ainda não – Brian Hastings respondeu.

— Sr. Hastings, eu conheço esse filho da mãe e o meu instinto me diz que você precisa prestar atenção nisso.

— Eu preciso de mais do que o seu instinto, Sr. Bauer. CTU não é mais a organização que você conhecia.

— OK, certo, mas entenda isso. Se alguma coisa acontecer ao Presidente Hassan, eu serei obrigado a ligar para a Presidente Taylor para dizer que eu tentei oferecer a informação e você ignorou.

Hastings olhou apara Chloe e irritado perguntou:

— Por que esse arquivo está demorando tanto?

— Calma, eu ainda estou procurando nos arquivos.

— Sr. Hastings, eu preciso da sua resposta imediatamente. Irá pegar o Aruz ou não?

Hastings respirou fundo e pediu:

— Me deixe falar com ele.

— Vou te colocar no viva-voz.

Jack se aproximou de Victor e apertando um botão no celular, depositou-o sobre a mesa.

— Prossiga – Jack disse.

— Sr. Aruz, preciso de mais detalhes que corroborem com a sua história.

— O assassino derrubou dois dos meus rapazes: Manuel Escobar e Mauricio Tellez. Verifiquem com os tiras.

— Iremos – Hastings disse, fazendo um sinal para que Chloe fizesse isso imediatamente.

— Sr. Bauer, onde você está?

— 18ª Oeste, 1145.

— Mandarei um helicóptero para pegá-los. O heliporto mais próximo é... na 12ª delegacia. Fica a cinco quadras daí. Você pode ir até lá, Sr. Bauer?

Jack olhou para Victor. Ele queria apenas voltar para Los Angeles com sua família. Levar um informante levaria tempo e ele poderia se atrasar. Mas era a única forma de garantir a segurança das informações.

— Posso.

— Uma equipe chegará lá em uns vinte minutos.

— Certifique-se de não usar canais oficiais. Acredito que o assassino está monitorando a frequência de emergência.

— Pode deixar – Hastings disse, apertando um botão no telefone e desligando. Ele rapidamente, ordenou a Chloe:

— Reúna equipes táticas e diga que temos um problema.

Enquanto Chloe se levantava e saía do escritório do Sr. Hastings, Jack pegou sua bolsa transversal de couro e levantou Aruz, colocando nele o agasalho e abrindo e porta do apartamento, dizendo;

— Vamos.

No Bullpen, Arlo Glass estava controlando um drone com um joystick, enquanto observava o que a câmera dele mostrava. Drone aéreo é um mini avião não-tripulado com velocidade máxima de 640 km/h, equipado de câmeras, sensores de calor e tecnologia antibalística para interceptar mísseis. Ele estava olhando as ruas de Nova York e deu um zoom em um terraço, observando uma moça de biquíni tomando banho de sol.

Arlo era bem jovem, tinha no máximo vinte e cinco anos, cabelo encaracolado preto e uma barba que não devia ser feita a um mês, pois estava comprida em algumas partes e curta em outras. Tinha olhos brilhantes e um sorriso sacana.

— Aí você está... É disso que eu gosto.

— Arlo – Cole Ortiz chamou, chegando até o agente de inteligência e especialista em drones aéreos.

— Sim? – ele respondeu sem tirar os olhos da tela.

— Venha – Cole Ortiz disse, olhando para a mulher de biquíni que Arlo estava observando – Hastings solicitou uma reunião de emergência. Se ele te pegar fazendo isso, você perderá o emprego.

— Valerá a penas. Acho que isto é amor...

— Agora – Cole ordenou, dando um tapinha no braço de Arlo.

Arlo Glass apertou um botão em seu comunicador e reportou:

— Aqui é a CTU transferindo o controle dos drones A31 e A32 para o controle da SN (Segurança Nacional)... OK, entendido. Transferência confirmada.

Ele se levantou e foi em direção às escadas que levavam ao segundo andar.

04:28:22

— Nós temos um problema – Hastings disse, enquanto descia as escadas da CTU. Ele chegou à base das escadas e viu Dana Walsh, Cole Ortiz e Arlo Glass reunidos – Cole, prepare um helicóptero para resgate.

— Eu não terminei de distribuir os novos parâmetros de patrulha – Cole informou.

— Isto é prioridade.

— Quem eu irei buscar?

— Alguém que diz ter informações sobre uma ameaça ao Presidente Hassan.

— É de confiança a informação?- Dana perguntou.

— De acordo com Jack Bauer sim – Hastings respondeu.

— Jack Bauer? – Cole se perguntou, surpreso. Achou que Jack Bauer estava aposentado e nada tinha a ver mais com a CTU.

— Ele está entregando o informante – disse o Diretor da CTU.

— Quem é Jack Bauer? – Arlo Glass perguntou.

Dana e Cole olharam para ele, estranhando o fato de ele não saber que era Jack Bauer. Ignorando a surpresa de Arlo, Hastings prosseguiu:

— O local é no centro. Chloe mandará as coordenadas. Pegue uma equipe pequena. A equipe do Torres está livre.

— Sim, senhor – disse Cole – e eu preciso de outra equipe para assegurar o pouso.

— Uma equipe será suficiente. Usaremos um drone para proteger a operação no terreno. Arlo, providencie um drone e um helicóptero. Cobertura completa da área de pouso e do corredor aéreo.

— Certo – Arlo disse, enquanto Hastings subia as escadas de volta para seu escritório. Os três se separaram e foram para suas funções.

Na frente do Hotel Chelsea, uma viatura branca da polícia reduziu a velocidade e estacionou em uma vaga livre do meio-fio.

Enquanto isso, na lateral do hotel, uma porta corta-incêndio se abriu e Jack Bauer saiu sozinho com a sua bolsa transversal de couro transpassada pelo corpo. Ele estava num longo beco. Olhou em direção à entrada para a rua, virou-se e olhou para o fim do outro beco. Levantou a cabeça e procurou por algum suspeito nas escadas de incêndio do hotel e do grande prédio vizinho. Na verdade, não havia ninguém. Ele foi até a porta corta-incêndio e abriu-a.

— Está livre, vamos – ele disse para Aruz segurando-o pelo braço direito. E guiando-o pelo beco.

Naquele momento, um policial saiu da viatura de polícia na frente do hotel e colocou seu quepe. Jack continuou puxando Victor Aruz pelo longo beco. Eles passaram por uma grande lata de lixo e começaram a andar por um corredor de táxis abandonados estacionados.

O policial apertou um botão do rádio em sua lapela e disse:

— Central, aqui é o 2354.

— Prossiga, 2354.

O policial parou em frente a um carro cheio de marcas de balas e vidros quebrados.

— Encontrada uma placa compatível com um veículo roubado.

Em um pequeno armazém escuro, Davros, o observador e o sniper estavam ouvindo a um rádio com a conversa entre o 2354 e a Central.

— Modelo e placa? – perguntou a Central.

Davros aumentou o volume.

— Pontiac 03. Placa Sierra November Echo Um Cinco Charlie Cinco. Buracos de bala na lataria e no para brisas.

— É ele – o observador confirmou para Davros.

Davros era o único sentado naquele lugar. Era um homem de quarenta anos, sotaque eslavo oriental, baixinho, acima do peso, bochechas de buldogue e orelhas de abano.

— Entendido. Qual é a localização – a Central perguntou para o 2354.

— Veículo estacionado na 18ª, logo a oeste de 9ª Avenida.

— Daremos um jeito nisso – o observador prometeu.

Davros se levantou e encarou o seu capanga.

— Darão? – ele perguntou com ceticismo – Ou terei que me envolver? Esta seria a hora para me contar.

— Aruz é um homem morto, senhor – o observador disse – Tem minha palavra.

— Que bom.

O observador e o sniper pegaram submetralhadoras em cima de uma mesa e começaram a abandonar o armazém. Eles passaram por um portão, saindo para a claridade do dia. Davros observou-os e voltou-se a sentar em sua mesa, onde à frente estava um mural com dezenas de foto em preto e branco do Presidente Omar Hassan e alguns bilhetes em cirílico-russo.

04:30:27

Capítulo Três

04:36:22

Naquele momento, Jack Bauer ainda estava segurando Victor Aruz pelo braço e guiando-o por alguns becos que levariam até a 12ª Delegacia; Chloe O’Brian estava pesquisando o nome de Aruz no laptop do Sr. Hastings; e a Presidente Allison Taylor terminava de assinar uns papéis na sala de negociações da ONU.

O Secretário de Estado Ethan Kanin andava por alguns corredores da ONU, passou por algumas pessoas e entrou na sala de negociações, onde estavam dois agentes do Serviço Secreto, a presidente e uma secretária.

— Com licença, Senhora Presidente.

A secretária se retirou da sala e Ethan se aproximou da presidente, perto da mesa onde minutos atrás eles estavam negociando com os irmãos Hassan.

— O Presidente Hassan aceitou nossas contrapropostas nas inspeções.

— Essas são ótimas notícias – a Presidente Taylor comemorou.

— Até o final da próxima sessão, poderemos ter um acordo firmado.

A presidente sorriu e sentou-se em uma cadeira.

— É uma conquista extraordinária, Allison.

Taylor assumiu uma expressão triste, de certa forma saudosista, como se trouxesse à memória lembranças antigas. Ethan percebeu a preocupação dela e perguntou.

— Há algo errado?

— Eu estava pensando no Henry...

Ethan acenou afirmativamente com a cabeça e sentou-se em cima da mesa de negociações. Taylor continuou falando:

— Atingir um acordo de paz com a República Islâmica era algo que nós conversamos há anos... Gostaria que ele estivesse aqui para compartilhar o momento.

Ethan Kanin permaneceu em silêncio.

— Está surpreso? – Allison Taylor perguntou.

— Considerando o comportamento dele durante o divórcio, sim, eu estou surpreso. Ele fez de tudo para magoá-la, principalmente na imprensa.

— Ele estava nervoso, Ethan. Coloquei nossa filha na prisão.

— Você se recusou a cobrir um assassinato – Ethan disse, justificando-a – Olivia foi responsável pelo que aconteceu, ninguém mais.

Allison Taylor se lembrou do ocorrido, dois anos atrás. Ela descobriu que sua filha, Olivia, tinha matado o assassino do irmão e filho de Allison. A presidente então denunciou a própria filha para ser presa e Henry, o então primeiro-cavalheiro, divorciou-se dela.

— Mesmo assim – Taylor disse – Se fosse ao contrário, eu talvez me sentisse da mesma maneira que Henry.

— Desculpem interromper – Rob Weiss disse, entrando rapidamente na sala – Mas acabei de falar com Brian Hastings da CTU.

— O que está acontecendo, Rob? – Ethan perguntou.

— Estão com alguém que diz saber sobre uma ameaça ao Hassan.

— É real a ameaça? – Taylor perguntou, se levantando.

— O suficiente para envolvê-la. O informante chegou através de Jack Bauer.

— Pensei que Jack estivesse fora de tudo isso. Como ele se envolveu?

— Até onde eu sei o informante veio procurá-lo. Saberemos mais se o informante puder assinar a imunidade.

— Como é a segurança do local da coletiva de imprensa? – Ethan perguntou a Rob.

— Alta e eu acabei de aumentar o nível de alerta. Mas precisamos informar Hassan sobre a ameaça, se possível antes da coletiva.

— Não podemos contar ao Hassan – Ethan reclamou – Certamente não antes da coletiva de imprensa.

— Por que não?

— Bem, ele pode desistir de tudo. Por preocupação com a própria segurança.

— Hassan já é bem grandinho. Se não estivesse acostumado a correr riscos, ele nem estaria aqui, você sabe disso. Se ele descobrir que sabíamos, mas não falamos nada, toda a confiança que construímos ano passado iria pelo ralo. Aí sim ele cancelaria o papo. E francamente, eu não o culparia.

Ambos olharam para a presidente. A decisão final era dela. Ela vacilou o olhar entre os dois e depois prometeu em baixo som:

— Pensarei a respeito. Obrigado aos dois.

A Presidente voltou a se sentar em sua cadeira. Ethan Kanin respirou fundo e caminhou em direção à porta, abandonando a sala. Quando ele saiu o Chefe de Gabinete da Presidente Taylor ponderou:

— Senhora Presidente, eu estou te avisando, esconder isso do Hassan pode ser desastroso.

— Já disse que pensarei a respeito, Rob. Obrigada.

Rob Weiss acenou com a cabeça e foi saindo da sala.

04:39:03

Ethan Kanin caminhou até um canto de um corredor ao lado da sala de negociações e ficou de frente para a parede, escondendo seu rosto. Ele tirou um frasco laranja do bolso e abrindo-o, deixou um comprimido cair em sua mão. Rob passou perto dele e vendo-o, meio escondido, chamou-o:

— Ethan...

O Secretário de Estado virou-se e viu seu colega de gabinete.

— Olhe, me desculpe se eu peguei um pouco pesado lá dentro – Rob falou um pouco envergonhado – Eu só estava defendendo meu ponto de vista.

— Não precisa se desculpar, Rob. Eu recomendei você à presidente por você não ter medo de se expor – Ethan disse, colocando o comprimido em sua boca – Ela precisa disso.

Rob focou seus olhos no frasco laranja e olhou-o com interesse; não sabia que Ethan estava tomando remédios.

— Mesmo assim – Rob disse sem tirar os olhos do frasco – Sei que posso me deixar levar...

Ethan percebeu o interesse de Rob em seu frasco e respondeu:

— Não se preocupe, garoto. Eu ainda não morri. Sei cuidar de mim mesmo. Mesmo se for contra você.

Ethan fez uma cara de bravo e depois abriu um sorriso brincalhão. Ele passou por Rob e foi embora daquele canto.

Numa movimentada avenida de Nova York, Jack e Victor se movimentavam entre a multidão pela calçada. Jack tinha acabado de completar sua ligação pelo celular para Kim.

— Oi, querida. Sou eu.

— Oi – Kim disse andando pelo saguão de seu hotel e parando em frente ao elevador, apertando o botão – As malas estão quase prontas. Você está a caminho?

— Houve um pequeno imprevisto – Jack disse, segurando Victor pelo braço – Vou atrasar um pouco.

— Um pouco quanto? – Kim perguntou.

— Acho que encontro vocês no aeroporto.

— Está tudo bem? – ela perguntou desconfiada.

— Está.

— Tem certeza?

— Kim, juro que está tudo bem.

— Oh, bem, Teri está tão empolgada pelo seu retorno conosco. Apenas me avise quando você estiver a caminho – Kim disse. O elevador apitou e ela entrou quando as portas se abriram.

— Está bem. Obrigado, querida.

Os dois desligaram. Jack olhou ao redor. Havia vários vendedores ambulantes pelas ruas e pessoas andando, algumas voltando do trabalho.

— Mantenha os olhos abertos – ele pediu a Victor – A delegacia está duas quadras daqui.

Jack olhou à sua direita. Havia um longo beco. Ele preferia becos, assim chamava menos atenção.

— Vamos por aqui – ele disse, puxando Victor para aquele caminho.

Brian Hastings estava falando no seu comunicador, enquanto via em sua tela, imagens e tempo real do helicóptero que tinha pousado no heliporto da CTU.

— A FAA (Federal Aviation Administration – Administração Federal da Aviação) liberou uma rota e avisou a todas as agências relevantes que estaremos voando.

Chloe O’Brian entrou no escritório e Hastings fez um sinal para que ela se aproximasse.

— Boa sorte – ele disse no comunicador e então o desligou.

— O arquivo de Aruz estava em um banco de dados protegido – Chloe disse, entregando uma pasta ao Sr. Hastings – Por isso demorou.

— Não deveria ter sido um problema. Você já está aqui há um mês.

— Quase um mês – Chloe interviu – e eu tive de reaprender a interface de todos os sistemas importantes. Tudo mudou.

Chloe já tinha trabalhado na CTU, mas na unidade de Los Angeles, onde ela conheceu Jack, por mais de oito anos. Depois que a CTU foi desinstalada, ela ficou um tempo sem emprego e, agora, tinha conseguido uma vaga na CTU de Nova York, porém todos os sistemas tinham mudado.

— Teve dificuldade para se adaptar, eu entendo. Mas não acho que seja por causa da sua inteligência.

— Obrigada.

— Eu acho que é por causa da ambivalência.

—Ambivalência?

— Eu sei que você só aceitou o emprego porque seu marido perdeu o dele. Estou errado?

— Não – ela disse firmemente – Quero dizer, sim. Por favor, apenas me dê mais um tempo para pegar o jeito aqui... Sr. Hastings, eu preciso desse emprego.

— Tudo bem. Mas prezo pela eficiência. Se sua performance não melhorar, talvez queira repensar sobre trabalhar aqui. Acredito que tenha ficado claro.

Chloe se irritou e rapidamente disse:

— Claro. Se é pra ser mais eficiente, por que não diz logo que se eu demorar, serei demitida?

Ela andou até a porta e abriu-a indo embora. Hastings balançou a cabeça em sinal de desaprovação.

04:41:34

As portas do elevador se abriram e Dana Walsh, Cole Ortiz e mais uma dúzia de agentes saíram do elevador, chegando à recepção da CTU na superfície, que nada mais era do que um pequeno cubículo com um estacionamento simples em frente e um grande heliporto a alguns metros de distância.

— Sua rota de voo é uma linha reta a sudoeste acima do rio e a 12ª Delegacia confirmou eu o heliporto está operacional – Dana informou a Cole, indo a um canto, enquanto os outros agentes já caminhavam para o heliporto – Tem cobertura de satélite do seu voo e apoio total do drone. Por que você está me olhando desse jeito?

— De que jeito? – Cole perguntou, tentando disfarçar o fato de estar olhando com preocupação para Dana.

Os dois trocaram olhares, Dana um inquisitivo e Cole um inocente.

— Eu só quero ter certeza de que nada está errado – Cole explicou.

— Nada está errado, como eu disse... Apenas seja cuidadoso, OK?

— Serei.

Um homem atrás de Cole abriu a porta de vidro da recepção e olhando para os dois perguntou:

— Está pronto?

— Sim – Cole disse e se afastou de Dana, indo até a porta.

Cole e o Agente Torres começaram a correr em direção ao helicóptero estacionado com as hélices já ligadas. Torres, em tom de brincadeira, disse a Cole:

— Talvez ela devesse finalmente escolher uma data, ela está se arrependendo.

Cole riu e respondeu:

— Por que você não cala a boca e se concentra na missão?

Os dois riram e chegaram ao helicóptero. Cole entrou pela porta do copiloto e Torres pela traseira. Na recepção, Dana olhou para o helicóptero com medo do que poderia acontecer a Cole. O helicóptero acelerou suas hélices e saiu do chão em contraste com o horizonte de prédios de Nova York e o East River, logo atrás do veículo aéreo. Acelerou em direção à 12ª Delegacia.

Jack puxava Victor por um beco cheio de latas de lixo, poças de água e fechado por prédios dos dois lados. Victor começou a ficar mais pesado para Jack Bauer.

— Vamos, Victor. Aguente

O informante tentou se sustentar, acelerando o passo, mas caiu inconsciente em cima de uma pilha de sacos de lixo e colchões velhos.

— Victor. Victor! – Jack gritou, tentando levantá-lo pelo agasalho, mas ele estava pesado demais – Fique comigo – Jack deu dois tapas no rosto de Victor e ele abriu os olhos por alguns segundos antes de fechá-los novamente – Victor, fique comigo.

Ele olhou a mão de Victor Aruz. Estava cheia de sangue.

— Droga – Jack murmurou.

Jack abriu o agasalho de Victor e viu que a bandagem de panos que ele tinha feito em seu apartamento estava toda ensanguentada e por isso o sangue tinha escorrido até a mão d Victor. Jack retirou as bandagens e viu o buraco da bala, liberando sangue com uma certa constância. Levantou-se e chutou alguns sacos d elixo que estavam ao lado de Victor, revelando um colchão velho, porém de certa forma limpo, debaixo do sanitos. Jack tirou sua faca militar do bolso e começou a cortar um quadrado no colchão para poder retirar material para fazer uma nova bandagem.

Vinte metros atrás deles, estava um distribuidor de multas, anotando algo em papéis e colocando debaixo do para brisas de um carro estacionado no beco. Ele ouviu a respiração ofegante de Jack e olhou para aqueles dois.

— Fique comigo! – Jack gritou, colocando a espuma do colchão no local da ferida.

O distribuidor de multas logo percebeu que o homem no chão estava bem ferido.

— Vamos precisar pressionar a ferida – Jack disse para Victor, que abriu os olhos debilmente.

O multador afastou-se dos dois que não perceberam sua presença e pegou seu celular. Digitou 911. Enquanto isso, Jack retirava mais espuma do colchão e fechava o ferimento com o tecido.

04:43:36

Capítulo Quatro

04:50:24

Naquele momento, tanto a Presidente Taylor quanto o Presidnete Hassan estavam revendo alguns arquivos escritos, Hassan sentado em sua suíte com óculos de leitura e Taylor na sala de negociações, de pé; Cole Ortiz e a equipe do Agente Torres avançavam com o helicóptero pelo espaço aéreo de Nova York.

Dalia Hassan era bem alta, magra, tinha um pescoço comprido, nariz aquilino, grandes brincos nas orelhas, uma pinta perto do lábio, batom vermelho pelos lábios e uma pesada maquiagem. Tinha os cabelos pretos e lisos presos por um coque. Era a mulher do Presidente Hassan e estava passando mais maquiagem em seu quarto contíguo ao do presidente. Estava sentada em uma cadeira, se olhando em um espelho na mesa, enquanto a TV ligada dizia as informações do noticiário.

— Se tiver sucesso, o acordo pode ser o início de uma paz duradoura em uma região problemática – dizia a repórter – Presidentes Taylor e Hassan agendaram sua primeira coletiva de imprensa em alguns minutos e transmitiremos ao vivo.

Nesse momento, Kayla Hassan, filha de Dalia e Omar entrou no quarto e pegou o controle remoto - Em poucos instantes, Christiane Doumany fará uma reportagem sobre a história das várias tentativas frustadas no Oriente Médio e por que essa pode ser diferente.

Ela apertou um botão e desligou a TV. Kayla tinha dezesseis anos era extremamente bonita. Tinha um rosto redondo, pele perfeita, grandes e expressivos olhos castanhos, nariz pequeno e um sorriso branco e espontâneo. Tinha longos cabelos castanhos não tão lisos quanto os de sua mãe.

Kayla sorriu e disse:

— É hora de ir.

— Diga ao seu pai que já estou indo – Dalia respondeu, carrancuda.

— Esperarei até você terminar.

Dalia balançou a cabeça negativamente e comentou:

— Ele não confia que chegarei a tempo.

— É claro que ele confia – Kayla retrucou, de certa forma indignada.

Dalia ajuntou as mãos e olhou para os olhos de Kayla pelo espelho, perguntando:

— Quando você aprendeu a ser uma boa mentirosa?

Kayla ficou sem resposta.

— Você não tem que defender seu pai, querida – Dalia disse, se levantando. Ela foi até Kayla e deixou bem claro – Ele pode cuidar de si mesmo.

Dalia saiu andando, em direção a uma porta lateral, sendo seguida por Kayla. Ambas passaram pela porta e chegaram a suíte de Omar Hassan, onde ele estava lendo alguns protocolos em sua mesa. Ao perceber a aproximação das duas, Omar se levantou e tirou seus óculos de leitura. Aproximou-se de Dalia e com um sorriso, elogiou:

— Você está linda, Dalia.

— E você está lindo.

A mão de Omar tentou alcançar a mão de Dalia, porém ela desviou-se de Omar e irritada, disse baixinho:

— Não vamos fingir mais o que nós temos que fingir.

Dalia virou-se e caminhou para fora do quarto. Envergonhado, Omar Hassan foi até sua mesa e pegou seus óculos, guardando-os no bolso.

— Me desculpe por ter que ver isso – ele disse a sua filha Kayla.

— Não é sua culpa – ela disse com pena de seu pai.

O Presidente Hassan se aproximou de sua filha e, sorrindo, colocou sua mão sobre lateral do rosto dela. Ela devolveu o sorriso e colocou sua mão sobre a mão de seu pai.

— Nós temos que ir – ela avisou.

— Sim – Omar disse, tirando sua mão de Kayla.

Os dois passaram pela porta do quarto, onde encontraram lá fora Dalia usando um véu preto por cima da cabeça e cobrindo o pescoço. Kayla também pegou seu véu que estava nos ombros e cobriu a cabeça e o pescoço. Todos caminharam até o elevador aberto. Omar parou nas portas do elevador e fez um sinal para que as duas mulheres entrassem primeiro. Elas o fizeram.

04:52:34

Omar Hassan entrou no elevador junto com mais dois seguranças. Eles apertaram um botão para descer.

Meredith Reed ainda estava no saguão da ONU, andando impacientemente de um lado para o outro. Farhad Hassan saiu de um dos elevadores e chegou até o local. Meredith parou de andar de um lado para o outro, pois rapidamente reconheceu aquele homem como o irmão do Presidente Hassan. Farhad foi até o guarda que tinha impedido Meredith de entrar e entregou-lhe um cartão, pegando o cartão que estava nas mãos do guarda.

— Deixe-a passar – Farhad ordenou.

O guarda passou pelo detector de metais e foi até Meredith. Ele entregou a ela o cartão que Farhad havia lhe dado. Meredith passou pelo detector de metais e pegou sua bolsa preta do outro lado, colocando-a pelo braço. Foi até Farhad e disse:

— Obrigada.

— Vou te dizer o mesmo que eu disse a ele. A menos que queira destruir tudo pelo que ele trabalhou, fique longe dele.

Farhad virou-se e foi embora, deixando Meredith sozinha. Farhad foi andando até o elevador.

As portas da sala de negociações se abriram e Rob Weiss entrou em passo rápido, vendo que Taylor estava lendo alguns arquivos.

— Com licença, senhora.

A Presidente Taylor retirou seus óculos de leitura, enquanto Rob se aproximava mais.

— O Presidente Hassan está a caminho.

Taylor colocou os arquivos sobre a mesa e permaneceu em silêncio por um tempo.

— Não vai contar que ele é um alvo? – Rob perguntou – Senhora Presidente, me desculpe, mas a senhora está arriscando destruir em um único dia, tudo—

— Rob – Taylor disse, cortando-o – Você deu sua opinião. Mais de uma vez. Também não gosto de esconder isso do Presidente Hassan.

— Então diga a ele.

Os dois se encararam, porém rapidamente desviram os olhos quando Omar, Dalia e Kayla Hassan entraram na sala acompanhados de dois seguranças.

— Senhor Presidente – Taylor cumprimentou, abrindo um largo sorriso – Senhoras.

A família sorriu de volta enquanto o Presidente Hassan se aproximava de Allison Taylor e Rob Weiss.

— Você já conheceu meu Chefe de Gabinete.

— Claro – Omar respondeu, apertando as mãos de Rob e sorrindo.

— Olá, Senhor Presidente.

— Eu ainda não tive a chance de agradecê-la por aceitar as condições na questão da verificação.

— Foi a coisa certa a fazer – Allison respondeu.

— Se vocês não se importam – Rob disse, intervindo – gostaria de prepará-los para a coletiva de imprensa. O Secretário Geral vai apresentá-los após algumas observações. A coletiva não deve demorar mais que vinte e cinco minutos.

Victor Aruz berrou de dor, quando Jack apertou a mão contra a ferida de Aruz com a espuma do colchão que agora já estava ensanguentada.

— Coloque sua mão aqui – Jack ordenou, colocando a mão direita de Aruz sobre o ferimento.

Ele fechou o agasalho de Victor e levantou-o, pelo tecido do agasalho.

— Vamos.

Os dois se levantaram e quando Jack olhou para sua frente, viu dois policiais apontando armas para eles e uma viatura estacionada logo atrás dos oficiais.

— Não se mexa – um dos oficiais ordenou.

Jack levantou as duas palmas das mãos, enquanto Victor pressionava mais a ferida.

— Recebemos uma ligação sobre você dois terem um problema aqui. O que houve?

— Oficial, meu nome é Jack Bauer. Estou transportando esse homem a mando da CTU. É um informante vital para a segurança nacional.

— Ligue para eles – o oficial mais graduado ordenou ao seu colega. Este virou-se e começou a ir até a viatura.

— Escute – Jack avisou rapidamente – os homens que estão tentando matar ele estão monitorando todos os canais de emergência. Não deixe ele fazer essa ligação!

— Cale a boca e se encoste contra a lixeira agora

Os dois começaram a obedecer, enquanto Jack argumentou:

— Se você nos levar a 12ª Delegacia, nós podemos comprovar tudo lá.

Jack viu dois homens se aproximando do beco, colocando as mãos dentro dos agasalhos.

— Abaixe-se! Agora! – Jack gritou, jogando Aruz para trás da lixeira e fazendo o mesmo.

O observador e o sniper começaram rapidamente a disparar tiros de metralhadora contra o carro da polícia. Os vidros começaram a se estilhaçar e os dois policiais começaram a disparar contra os hostis. Jack saiu de trás da lixeira e, agachado, atirou com sua pistola contra os dois homens.

O observador e o sniper se esconderam atrás de lixeiras de lados opostos do beco. Jack continuou disparando. O sniper saiu e trás de sua lixeira e descarregou sua metralhadora contra a viatura. O policial menos graduado caiu morto. O observador continuou disparando e acertou alguns tiros no colete do oficial. O oficial ofereceu resistência com sua pistola, porém foi atingido no pescoço.

Os dois capangas de Davros começaram a correr em direção à lixeira de Jack e Victor, enquanto atiravam sem parar.

Jack olhou para trás e viu duas portas corta-incêndios que davam entrada para um prédio. A porta estava trancada com um cadeado. Jack fechou um dos olhos e deu dois tiros contra a porta. O segundo tirou acertou em cheio o cadeado, quebrando-o.

— Te dou cobertura, corra para a porta – Jack disse a Victor – Está pronto? Vai, vai!

Enquanto Victor Aruz corria até a porta, Jack apareceu em campo aberto e agachado começou a atirar nos dois homens. Correu de costas em direção à porta, enquanto continuava atirando. Quando os dois capangas se esconderam, Jack virou-se e foi com Victor até a porta. Ao entrarem começaram a correr por um grande corredor.

— Continue andando, minhas balas acabaram.

Do lado de fora, os dois capangas voltaram a correr em direção à viatura. Dentro do prédio, Jack puxava Aruz pelo corredor, enquanto já falava no celular:

— Chloe, é o Jack, quando chega o helicóptero?! – Jack perguntou, desesperado.

— Em alguns minutos. Jack, qual é o problema? – Chloe disse em sua mesa na CTU.

— Estamos sob ataque! Preciso que me ponha em contato com quem comanda aquela unidade!

— Certo, é o Agente Ortiz, ele é o Diretor das Operações de Campo – Chloe informou, enquanto transferia a ligação e Dana Walsh se aproximava da mesa de Chloe, perguntando:

— Tem um problema?

— Sim.

Dana apertou um botão em seu comunicador e disse:

— Sr. Hastings, temos um problema.

Jack e Victor chegaram às escadarias do prédio. As escadas margeavam as paredes, deixando um grande vazio entre elas, possibilitando ver o fim do prédio lá em cima. Com o celular na orelha, Jack empurrou Victor para as escadas e ordenou:

— Continue indo até o telhado agora! Não pare por nada, continue andando!

Victor começou a correr debilmente, subindo as escadas, se apoiando nos corrimões que também eram o que impedia que alguém caísse no “vazio” das escadas. Jack ficou na base da escada e olhou pelo corredor para ver se os hostis estavam chegando.

Na CTU, Chloe O’Brian disse em seu comunicador:

— Agente Ortiz, você está falando com Jack Bauer.

— Entendido – Cole respondeu pelo headphone do helicóptero – O que está acontecendo, Sr. Bauer?

— Estamos sendo perseguidos por dois atiradores. Não há como chegarmos à delegacia – Jack informou rapidamente, vendo se os hostis estavam chegando - Estamos em um prédio na 21ª Oeste, a três edifícios da 9ª Avenida.

— Estamos indo ara a sua posição agora – Cole informou, enquanto Jack olhava para cima e via que Victor estava uns três andares na frente de Jack - Continue na linha, estamos procurando por lugares alternativos.

— Entendido – Jack confirmou, começando a correr escadas acima.

Os dois hostis chegaram a uma curva do corredor. O sniper empunhou sua metralhadora e avançou, enquanto o observador lhe dava cobertura.

Dana Walsh apertou um botão de seu controle remoto e enviou imagens de satélite para o grande telão da CTU. Ela viu um grande telhado na imagem e disse para Chloe, apontando para a tela do computador dela.

— Bem ali, o telhado daquele estacionamento pode funcionar. Pode aproximar a imagem?

— O satélite está atualizando, vai demorar um minuto.

Arlo girou sua cadeira giratória e informou rapidamente em seu comunicador:

— Eu estou movendo o drone para lá. Tem um estacionamento próximo ao edifício em que estão. O telhado está livre para aterrissagem.

— Ouviu isso, Cole? – Dana perguntou em confirmação.

— Sim – Cole respondeu, vendo pelo helicóptero um grande edifício-garagem “colado” com o edifício em que Jack estava – Eu estou vendo. Sr. Bauer, parece que você pode acessar essa telhado pelo oitavo andar do prédio em que está.

— Em quanto tempo você vai chegar? – Jack perguntou, correndo pelas escadas, puxando Victor consigo.

— Noventa segundos.

— Entendido, não se atrase.

Os dois hostis chegaram à base das escadas. Eles começaram a subi-la apontando suas metralhadoras para cima.

Jack e Victor chegaram a um dos patamares do prédio. Jack encostou Victor Aruz à parede ao lado de uma porta que levava a um dos andares do prédio.

— Victor. Victor, me ouça. Você vai me contar tudo o que sabe sobre o assassino, para que eu possa contar a eles caso você não consiga sobreviver.

Victor balançou a cabeça negativamente.

— Seu eu não conseguir, eu não ligo para o que acontecer. Me leve à CTU.

Os dois ouviram os hostis lá embaixo, dizendo um para o outro:

— Vai, vai.

Eles estavam a apenas alguns andares de alcançar Victor e Jack.

— Você sempre foi um filho da mãe – Jack disse a Victor – Vamos.

Jack puxou Victor da parede, deixando uma grande mancha de sangue na parede branca.

04:56:23

O observador ia à frente do sniper. Os dois foram lentamente subindo as escadas com as metralhadoras em mãos. Chegaram a um dos patamares e ambos perceberam uma grande mancha de sangue na parede. O observador olhou para uma outra parede e viu o local onde deveria estar um machado de incêndio, porém o painel estava com o vidro quebrado.

Antes que pudesse pensar em qualquer outra coisa, Jack Bauer saiu de trás de uma porta corta-incêndio, desferindo um golpe circular paralelo ao plano do chão com o machado contra o peito do observador. O machado foi enterrado dentro do peito do capanga e Jack rapidamente empurrou o machado, e consequentemente o corpo, em direção ao corrimão que dava para o vão da escada. O sniper, que estava atrás o observador, foi empurrado junto e tombou para trás do corrimão, começando a cair. Enquanto gritava, o sniper bateu a cabeça num patamar e mais depois a coluna em outro corrimão. Jack jogou o observador no chão pelo machado e foi até o parapeito do corrimão, olhando para baixo. O sniper estava morto assim como o observador.

Jack pegou a metralhadora do observador e foi até atrás da porta corta-incêndio, onde Victor estava escondido.

— Vamos lá – Jack sussurrou, puxando-o.

Ele o levou até o fim de um pequeno corredor, onde havia uma janela de vidro. Deixou Aruz num canto e ordenou baixinho:

— Fique aí.

Jack Bauer olhou pelo vidro e viu um helicóptero aterrissando no telhado de um estacionamento à frente deles. Jack golpeou com a metralhadora no vidro da janela e este se quebrou. Retirou os estilhaços com o cano da arma. Pegou Victor pelo agasalho e levantou-o até a altura da janela, jogando-o em cima de uma grande lata de lixo encostada à janela do lado do estacionamento. Jack pulou pela janela e foi ao chão. Segurou Victor pelo agasalho e trouxe-o até o chão do telhado.

O helicóptero tocou o solo e as portas se abriram. Cole, Torres e outros agentes desceram rapidamente do helicóptero, empunhando pistolas e indo para as suas posições. Cole e Torres começaram a correr em direção à Jack e Victor, enquanto outros homens iam até a entrada do telhado.

— Bloqueie o acesso ao telhado! – Cole ordenou.

Segurando Victor por baixo do braço, Jack chegou perto de Cole e mais um agente.

— Onde estão os hostis?! – Cole perguntou em alto som, tentando ser ouvido entre o barulho das hélices do helicóptero.

— Estão mortos. Tem que tirá-lo daqui. Ele está perdendo muito sangue – Jack respondeu, entregando Victor para o Agente Torres que começou a levá-lo em direção ao helicóptero.

Cole apertou a mão de Jack.

— Me chamo Ortiz, é uma honra conhecê-lo. Obrigado por fazer isso. Olhe, Hastings quer uma reunião com você na CTU.

— Eu não vou voltar para a CTU – Jack disse decidido – eu o entreguei, acabou.

— Sr. Bauer – Cole disse, objetando a decisão de Jack.

— Eu tenho um voo para pegar – Jack avisou e virou-se, caminhando na direção oposta a Cole.

Cole achou tudo aquilo muito estranho. O cara tinha se matado para entregar um informante e agora simplesmente virava as costas e ia embora.

— É isso? – Cole perguntou indignado.

Jack parou de andar e olhou para o topo de um prédio a uns duzentos metros de distância. Um objeto saiu do topo do prédio com alta velocidade, produzindo um assovio alto e um rastro de vapor. Estava indo na direção deles.

— Abaixe-se! – Jack gritou, pulando em cima de Cole, jogando-o no chão.

O míssil alcançou o helicóptero em menos de um segundo, fazendo o veículo aéreo irromper em bolas de chamas. Victor Aruz, que estava sendo levado ao helicóptero, e mais outros agentes que estavam perto do veículo foram lançados para longe do local da explosão. O helicóptero começou a incendiar-se, enquanto ainda soltava novas bolas de fogo.

No topo de um prédio a duzentos metros, Davros abaixou seu lançador de mísseis e largou-o no chão. Viu com satisfação o helicóptero pegando fogo. Pegou sua mochila e saiu correndo do local.

Na CTU, todos observavam a cena do helicóptero pelas imagens da câmera do drone que eram projetadas no telão.

— Ortiz, responda – Hastings disse no Bullpen, olhando para o telão.

— Agente Ortiz – Chloe chamou, percebendo que não havia resposta.

Houve silêncio no comunicador. Dana Walsh segurou a respiração preocupada.

— Agente Ortiz, qual a sua situação? – Chloe perguntou - Agente Ortiz.

Ainda sem resposta.

— Jack, responda – Chloe disse no comunicador – Jack, pode me ouvir? Alguém responda.

Jack e Cole abriram os olhos e viram o cenário em que estavam inseridos. Jack viu Victor Aruz caído no chão de barriga para baixo ao lado do Agente Torres, também caído. Bauer se levantou e tirou a bolsa transversal do corpo, largando-a no chão. Correu até o seu informante.

— Victor.

Jack virou o corpo de Victor de barriga para cima. O rosto dele estava cheio de cortes, queimaduras e sangue. Os olhos estavam semiabertos como se ele estivesse com muito sono.

— Victor.

Jack posicionou-se em cima do corpo do informante e deu alguns tapas na lateral de seu rosto. Ele levantou a cabeça de Victor, segurando-a pela nuca.

— Victor, fique comigo. Fique comigo. Me ouça, você não quer morrer assim – Jack disse em desespero, tentando aproveitar os últimos momentos da vida do informante – Faça a coisa certa, me conte o que você sabe.

Victor engoliu saliva e com uma voz dolorida, disse lentamente:

— O assassino tem alguém infiltrado...

Cole tentava reanimar Torres, enquanto isso.

— Alguém próximo ao Hassan... – Victor disse, tentando segurar sua dor.

— Me dê um nome – Jack pediu.

Os olhos de Victor giraram em quanto suas pálpebras se fechavam. Jack chacoalhou-o.

—Me dê um nome – ele insistiu – Me dê um nome!

Victor tossiu um pouco de sangue.

— Victor. Victor, quem é o infiltrado?!

Os olhos do informante desviaram-se de Jack involuntariamente, como se ele tivesse perdido o controle sobre seus olhos.

— Victor!

Jack deu mais alguns tapas no rosto dele, enquanto a cabeça caía sem forças, os olhos se fechavam totalmente e o corpo amolecia.

— Vamos lá!

Jack pegou seus dedos indicador e do meio e colocou-os sobre a jugular de Victor Aruz.

— Vamos... – Jack sussurrou.

Ele tirou os dedos e se sentou sobre o corpo de Aruz. Olhou para Cole, que também havia percebido que seu colega estava morto.

— Ele está morto... – Jack disse a Cole.

Jack Bauer passou a mão sobre a testa, enquanto ofegava desesperadamente. Ao fundo ele podia ouvir sirenes de polícia.

No saguão da ONU, Meredith Reed caminhou até um telão onde estava sendo exibidas imagens de Omar Hassan. Falava ao celular:

— Não, o irmão revogou meu acesso, mas o Hassan liberou.

Pausa.

— Eu sei, eu sei, eu sei que estou atrasada. Mas será feito.

Meredith desligou o celular e olhou para o rosto sorridente do Presidente Omar Hassan no telão. Ela não compartilhou do sorriso, permanecendo séria. Virou-se e misturou-se- à multidão no saguão.

04:59:57

04:59:58

04:59:59

05:00:00

ESCRITO POR LUCAS BARREIRA PACITTI

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