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Anteriormente em '24 Horas

— Escuta, eu pensei muito sobre o que nós conversamos – Jack disse a Kim no saguão do Hotel Chelsea - Eu quero voltar para Los Angeles com vocês.

— Sério?! – Kim exclamou, achando aquilo inacreditável.

— Sim – Jack Bauer confirmou.

— Você vem com a gente hoje à noite?

— Se estiver tudo bem.

— Pai, eu não sei o que dizer – Kim falou com um largo sorriso, abraçando seu pai – Estou tão feliz.

— Victor. O que você faz aqui? E como diabos me encontrou? – Jack perguntou a Victor Aruz em seu apartamento.

— Eu tenho informações – Victor avisou.

— Eu estou fora, não trabalho mais pro governo.

— Mas isto você vai querer ouvir – Victor Aruz afirmou, confiante - Tem uma grande conspiração acontecendo. Presidente Hassan, na ONU, ele vai ser morto.

— Quando? – Jack perguntou.

— Hoje. Antes de assinar esse negócio com a Taylor.

— Meu país concorda em abandonar a busca por armas nucleares – o Presidente Hassan disse a Presidente Allison Taylor em uma reunião.

— Mas as nossas condições, Senhor Presidente, eram que os inspetores fossem americanos, não da AIEA – Taylor retrucou.

— Essa é a mensagem que vocês passam para o resto do mundo? Por isso não queremos negociar— Farhad disse rapidamente.

— Farhad – Omar Hassan disse, sem gritar, porém com autoridade. Farhad Hassan silenciou-se - Desculpe a persistência do meu irmão.

— Precisamos resolver isso antes de continuarmos.

Do lado de fora da sala de reuniões, Taylor disse a Ethan:

— Ache uma maneira de dar-lhe o que ele quer. Um líder assim não se tem sempre

— Eu estou presa do lado de fora – Meredith Reed disse ao Presidente Omar Hassan por celular.

— Vou cuidar disso – Omar prometeu a Meredith e desligando disse a seu irmão Farhad - Essa mulher não representa uma ameaça a mim ou ao processo de paz.

— Mas você é casado – Farhad objetou.

— Não fiz nada impulsivo! Apenas resolva o problema da credencial da Srta. Reed.

— A menos que queira destruir tudo pelo que ele trabalhou, fique longe dele – Farhad disse a Meredith no saguão da ONU.

Meredith disse no celular:

— Não, o irmão revogou meu acesso, mas o Hassan liberou. Eu sei que estou atrasada. Mas será feito.

— Com licença, Sr. Hastings – Chloe disse, entrando no escritório de Brian Hastings na CTU NY - Jack Bauer está na linha 3 Ele disse que precisa falar com o senhor.

— Bauer? – Hastings perguntou surpreso.

— Eu estou com um informante que sabe algo sobre uma tentativa de assassinato ao Presidente Hassan – Jack disse a Hastings depois no telefone.

— E o que o Sr. Aruz quer em troca das informações?

— Proteção e imunidade de CTU.

— Mandarei um helicóptero para pegá-los.

Jack saiu de trás da lixeira e, agachado, atirou com sua pistola contra os dois homens de Davros. Entrou com Aruz no prédio e subindo as escadas ordenou:

— Não pare por nada, continue andando!

O observador e o sniper subiam as escadas lentamente com metralhadoras em mãos, quando Jack enterrou um machado no peito do observador e empurrou o sniper escadarias abaixo, matando-o.

— Tem que tirá-lo daqui. Ele está perdendo muito sangue – Jack respondeu, entregando Victor para o Agente Torres que começou a levá-lo em direção ao helicóptero.

— Olhe, Hastings quer uma reunião com você na CTU – Cole disse a Jack.

— Eu não vou voltar para a CTU – Jack disse decidido – eu o entreguei, acabou.

— Sr. Bauer – Cole disse, objetando a decisão de Jack.

— Eu tenho um voo para pegar – Jack avisou e virou-se, caminhando na direção oposta a Cole.

— É isso? – Cole perguntou indignado.

— Abaixe-se! – Jack gritou, pulando em cima de Cole, jogando-o no chão.

Um míssil alcançou o helicóptero em menos de um segundo, fazendo o veículo aéreo irromper em bolas de chamas. Victor Aruz, que estava sendo levado ao helicóptero, e mais outros agentes que estavam perto do veículo foram lançados para longe do local da explosão. Davros abaixou seu lançador de mísseis e largou-o no chão.

— Me conte o que você sabe – Jack implorou a Victor, que já estava morrendo.

Victor engoliu saliva e com uma voz dolorida, disse lentamente:

— O assassino tem alguém infiltrado... Alguém próximo ao Hassan...

24

Os acontecimentos a seguir se passam entre 5:00 P.M. e 6:00 P.M.

Capítulo Um

05:02:24

Enquanto o helicóptero continuava em chamas, uma viatura policial se aproximava do local da explosão em alta velocidade. Dezenas de nova-iorquinos começaram a se reunir nas proximidades do estacionamento, olhando para cima e apenas vendo uma grande nuvem de fumaça e ouvindo o crepitar de chamas, enquanto ligavam para diversas pessoas contando o ocorrido ou tuitavam em seus smartphones.

Da garagem de um prédio perto do estacionamento, Davros saiu carregando sua mochila e discando um número no celular. Passou por entre a multidão, dizendo no celular:

— Está feito. Aruz não é mais um problema. Mas, nós não sabemos quanto ele contou à CTU. Precisamos acelerar o assassinato.

Davros desligou o celular e guardou-o no bolso.

Na CTU, todos estavam no Bullpen olhando para o telão que mostrava o helicóptero pegando fogo com imagens em tempo real do drone. Dana Walsh estava bem preocupada, pois ainda não sabia o destino de Cole Ortiz. Ficou aliviada, quando ouviu Chloe O’Brian dizendo:

— Senhor, o Agente Ortiz está ligando.

— Passe ele – o Sr. Hastings ordenou – Eu quero todos nisso. Comunicação no canal 2-3-5. Tudo bem, vá em frente.

— Aqui é o Cole – o Agente Ortiz disse, andando pelo telhado do estacionamento, enquanto alguns de seus colegas cobriam os corpos mortos com agasalhos – Onde estão os paramédicos?

— Estarão aí a qualquer segundo – Hastings respondeu – Como está o restante da equipe?

— Earley está ferido. Torres e Johnson estão mortos. O que aconteceu? Aqueles drones eram para ser antibalísticos. Por que não eliminaram aquele míssil?

— Ainda estamos fazendo o diagnóstico.

— Senhor, isso nunca deveria ter acontecido! Deveríamos ter outra equipe checando aqueles prédios.

— Podemos discutir isso em uma outra hora, Agente Ortiz.

— Sim, senhor. Bauer que falar com você.

— Passe-o.

— Espere – Cole disse, indo em direção a Jack.

Jack estava falando com um agente, enquanto este anotava o que Jack falava em uma prancheta.

— Jack, eu estou com o Sr. Hastings na linha.

Jack pegou o celular e se afastou dos dois agentes, enquanto dizia no celular:

— Sr. Hastings, Victor Aruz disse antes de morrer que o assassino estava trabalhando com alguém muito próximo ao Presidente Hassan.

— Conseguiu o nome?

— Não, não antes de ele morrer.

— Acredita nele?

— Normalmente, eu não acreditaria nem um pouco. Ele estava morrendo, senhor. Não tinha razão para mentir.

— Tudo bem. Estamos dentro. Eu preciso de você e Cole aqui de volta para reportar.

— Sr. Hastings, eu já dei a um de seus agentes o meu depoimento.

— Eu preciso de você aqui – Hastings disse pausadamente palavra por palavra – Sr. Bauer?

Jack ficou em silêncio. A última coisa que ele queria naquele momento era ir até a CTU reportar. Ele queria estar de volta com sua família em Los Angeles. Não poderia se atrasar para chegar ao aeroporto. Jack olhou para o corpo de Aruz no chão, pensativo.

— Tá bom. Estamos a caminho.

Afastou o celular da orelha e desligou.

Na CTU, Dana Walsh chamou seu chefe:

— Sr. Hastings?

Brian Hastings virou-se, terminando de desligar seu comunicador que estava em uma ligação com Jack Bauer.

— Sim? – ele disse.

— Talvez eu tenha uma pista do infiltrado.

— O que quer dizer?

— Peguei um acesso não autorizado em um dos bancos de dado da segurança da ONU.

Os dois começaram a caminhar em direção à mesa de Dana para que ela pudesse mostrar isso fisicamente.

— Como você sabe que não é autorizado? – Hastings perguntou.

— Porque eles contornaram o acesso da página principal e passaram pelo servidor secundário. A única razão para fazer isso...

Dana se assentou em sua cadeira e digitando rapidamente, completou sua frase:

— ...é se estiver tentando encobrir seus rastros.

— Fique nisso. Me avise se conseguir rastrear a fonte. E coloque O’Brian nisso também, se não achar que ela vai te atrasar.

— Não, ela melhorou muito, senhor – Dana ponderou.

— Vou ligar para o Chefe de Gabinete da Taylor. Precisam saber que esse infiltrado pode estar movendo-se contra Hassan.

Uma das jornalistas levantou seu gravador e perguntou em alta voz ao Presidente Hassan:

— Senhor Presidente, você está sob grande pressão em seu país de uma ativa oposição a esse acordo de paz. Acreditam que desmantelando seu programa de armas nucleares, você estaria se entregando ao Ocidente. Como responde a essas acusações?

Em cima do pequeno palco, em frente a um púlpito e a uns cinquenta repórteres e câmeras estava o Presidente Hassan. Atrás dele, a Presidente Taylor e um pouco ao lado do palco Dalia, Kayla e Rob Weiss. Ele respondeu:

— A única coisa que estamos entregando é a nuvem de antagonismo e desconfiança a qual estávamos vivendo há muito tempo. Essa é uma vitória para o meu povo. É um marco do fim do isolamento e vai trazer estabilidade econômica pela primeira vez em décadas.

O celular de Rob começou a vibrar. Ele foi se afastando do palco, enquanto ainda ouvia a pergunta de algum repórter:

— Como você propõe estabilidade econômica quando o seu país está tão dividido?

Rob viu o número de identificação de quem estava ligando e atendeu:

— Aqui é o Weiss. Pegaram o Victor Aruz?

— Temo que não, senhor – Hastings respondeu pelo comunicador em seu escritório – Houve uma emboscada, Aruz foi mortos assim como dois de nossos homens.

— Droga.

— Antes de Aruz morrer, ele compartilhou uma informação muito preocupante. Ele disse que alguém próximo ao Presidente Hassan está conspirando com o assassino. Nós não temos um nome ainda, mas estamos seguindo uma pista.

— Me diga como – Rob Weiss disse bem nervoso – E é melhor eu ficar impressionado.

— Estamos rastreando o que pode ser uma entrada não autorizada em um dos servidores da ONU?

— E acha que essa é a pessoa que estamos procurando?

— Bem, estamos otimistas.

— É melhor esse otimismo se traduzir em resultados.

— Senhor, até localizarmos o infiltrado, é melhor você considerar confinar o Presidente Hassan e interromper sua coletiva.

— Isso não é uma opção, Sr. Hastings – Rob disse, olhando para trás e vendo a coletiva acontecer – Estamos próximos de assinar um dos tratados mais importantes da história deste país. Você foi posto no comando da CTU porque disse que poderia fazer o trabalho. “Eficiência e agilidade” foi o que você disse. A Presidente Taylor espera que o senhor cumpra essas palavras.

— Sim, senhor.

— Vou informar a presidente. Me mantenha informado.

Rob Weiss desligou o celular e começou a andar em direção ao palanque. A Presidente Taylor era quem estava no palanque naquele momento, dizendo à imprensa:

— Presidente Hassan e eu ainda temos muito trabalho a fazer, então vamos terminar a coletiva, mas eu gostaria de dizer que o presidente e eu escolhemos a ONU como foro para esse tratado, porque os problemas enfrentados no Oriente Médio se tornaram uma preocupação mundial. E o Presidente Hassan e eu estamos confiantes de que esse acordo vai estabelecer a base para uma paz duradoura na região. E agradecemos o vosso tempo. Obrigada.

A imprensa irrompeu em uma série de perguntas disparadas ao mesmo tempo. Taylor ignorou-as, apenas apertando as mãos de Hassan e dizendo com um sorriso:

— Senhor Presidente, vejo o senhor depois do intervalo.

— Estou ansioso para retomar isso.

— Obrigada.

Taylor desceu do palanque e foi em direção ao seu Chefe de Gabinete. Rob colocou as mãos nas costas dela e conduzindo-a, informou em tom baixo:

— Senhora Presidente, acabei de falar com a CTU. Houve um avanço a respeito da ameaça contra Hassan. Precisamos conversar em particular.

Enquanto entravam em alguma sala mais segura, Hassan desceu do palanque e foi até sua mulher e filha que o esperavam com sorrisos abertos.

— Isso foi maravilhoso – Dalia disse a Omar.

— Obrigado. Encontro com vocês depois.

As duas acenaram com a cabeça e saíram do local. Omar entrou na sala de negociações e pegou seu celular, que estava vibrando há uns trinta segundos.

— Alô? – ele disse atendendo.

— Você foi incrível – Meredith Reed elogiou, andando por alguns corredores do andar térreo do edifício da ONU.

— Não é sobre mim – Hassan afirmou, enquanto seu irmão se aproximava lentamente dele por trás – É a mensagem que é importante. Só espero que ninguém tenha visto o quanto nervoso eu estava.

— Você disfarçou bem – Meredith falou, dando uma risada.

— Você está aqui?

— Sim, já estou subindo. Ainda tem tempo par me ver?

— Estive esperando por isso o dia inteiro.

— Quando?

Hassan percebeu que seu irmão já estava na sua frente, fazendo um sinal de quem tinha algo muito importante para falar. O presidente da RIK gesticulou com as mãos e a boca, ordenando que Farhad Hassan saísse de perto. Este fez uma expressão decepcionada e obedeceu.

— O que você disse? – Hassan perguntou.

— Quando posso te ver?

— Tenho meia hora antes de a próxima sessão começar. Me encontre agora e vamos subir ao meu escritório privativo juntos. Vou dizer a minha equipe que você pediu uma entrevista.

— Perfeito. Já estou indo.

Ambos desligaram e Hassan olhou pela sala.

05:07:49

Hastings estava ao lado da estação de Arlo Glass, enquanto este informava ao mesmo tempo em que mexia em seu computador:

— Acabei de fazer uma verificação de sistema no drone. Os sensores detectaram o míssil, mas o drone não atirou.

— Por que não? – Hastings questionou, sedento por explicações.

— Só vou saber quando eu desmontá-lo... Sr. Hastings, eu não quero que pense que estou te provocando, mas eu lhe disse que o sistema antimíssil não havia sido testado em ambiente urbano.

— Eu sei o que você disse, Arlo. Só descubra o que aconteceu de errado e me retorne.

Dana Walsh chegou ao local onde os dois estavam e informou:

— Sr. Hastings, eu estava certa. Alguém invadiu o banco de dados da ONU. Eles baixaram protocolos de segurança, as plantas da ONU e o itinerário pessoal do Hassan. Eu consegui rastrear o endereço de IP.

— Conseguiu um nome?

Dana começou a ir em direção à mesa de Chloe O1Brian enquanto Hastings a acompanhava:

— Chloe está entrando no registro do computador. Ela já deve tê-lo agora.

— Quase lá – Chloe avisou, teclando rapidamente em seu teclado.

— Vamos, Chloe – Hastings pediu.

— Dizer isso não vai fazer ir mais rápido.

Três segundos depois, uma pequena coluna apareceu na tela com a inscrição “Parâmetros de busca: Meredith M Reed Freelancer”.

— Pronto, o dono do computador está listado como Meredith Michelle Reed – Chloe disse, enquanto lia o arquivo dela que foi logo aparecendo na tela.

— Ela é uma repórter que trabalha para o New York Courier – Dana acrescentou, lendo mais do arquivo - Ela está fazendo um perfil sobre Hassan. Requereu uma credencial de segurança da ONU.

— Ela conseguiu? – Hastings perguntou.

— Meu Deus...

— O quê?

— Ela está lá agora. A segurança da ONU a registrou há quinze minutos – Dana disse rapidamente, indo em direção à sua estação – Ela está na coletiva de imprensa.

Hastings apertou o botão de seu controle e disse no comunicador:

— Me contate com a segurança da ONU.

Um segurança estava passando seu leitor magnético pelo cartão pendurado no pescoço no pescoço de Meredith. Este soltou um curto bipe.

— Está liberada. Pode ir – o segurança informou.

— Obrigada – ela disse, passando por uma faixa de segurança.

Meredith caminhou até o meio de um ambiente onde estavam todos da imprensa autorizados a participar da coletiva. Ela abriu a bolsa e tirou seu celular. Apertou um botão no celular e guardou-o de volta na bolsa.

À cem metros de distância, em outro ambiente, um dos seguranças da ONU que estava dentro de uma faixa de segurança, disse em seu comunicador, enquanto a porta da sala de reuniões se abria e o Presidente Hassan saía caminhando lentamente:

— OK, vá em frente.

— Aqui é Brian Hastings, diretor da CTU. Temos uma possível ameaça ao Presidente Hassan.

— Tem uma identificação? – o segurança perguntou, chamando seu colega com um sinal de dedos.

— O nome dela é Meredith Reed. Ela tem uma credencial de segurança da ONU. Estamos mandando uma foto para o seu PDA (Personal Digital Assistant – Assistente Digital Pessoal).

O segurança sussurrou no ouvido de seu colega:

— Recebemos uma ligação sobre uma ameaça ao Presidente Hassan.

— A ONU nos deu acesso ao sistema de segurança – Dana informou, enquanto no telão uma grande planta do edifício da Organização das Nações Unidas aparecia – O programa de reconhecimento facial está varrendo o local.

Brian Hastings olhou para o telão, enquanto a planta começava a piscar em alguns pontos.

Meredith Reed passou para um próximo ambiente por uma porta de vidro, chegando ao local onde há alguns minutos a coletiva tinha acontecido. Ela apertou sua bolsa fortemente contra o corpo.

A planta no telão apitou e a imagem de uma das câmeras de vigilância apareceu, mostrando um ambiente cheio de jornalistas e uma mulher no vídeo estava com seu rosto marcado e apitando.

— Conseguimos uma combinação – Dana disse – Canto nordeste, se movendo em direção ao Hassan.

— Suspeita localizada – Hastings disse no comunicador ao segurança – Ela está a nove metros do Hassan, lado leste da seção de imprensa. Camiseta verde, saia preta, jaqueta preta!

Meredith puxou a bolsa para perto do corpo e ao ver Hassan a esperando, sorriu. Hassan devolveu o sorriso. O segurança apontou para ela e disse ao seu colega:

— Ali está ela! Vai, vai, vai!

Vários seguranças passaram correndo por uma faixa de segurança e seguraram Meredith por todos os lados. Outros dois seguranças foram até o resto da multidão e começaram a empurrá-los para longe de Meredith. Dois seguranças agarraram Hassan e começaram a movê-lo para longe da suspeita.

— Todo mundo para trás! – os seguranças gritavam para a multidão.

— O que você está fazendo?! – Meredith perguntou, enquanto lhe arrancavam a bolsa e ela via Hassan se afastando dela, sendo levado por outros seguranças.

— Para trás! Para trás!

— Meredith? – Hassan disse chamando a jornalista, enquanto era empurrado em direção ao elevador.

— Eu sou uma jornalista, tenho autorização – Meredith explicou, enquanto todos gritavam de todos os lados. Vários fotógrafos começaram a tirara fotos do momento, enquanto Meredith era levada em custódio e o Presidente Hassan era movido para longe.

— Recebemos uma ligação da CTU sobre um atentado à sua vida – um dos seguranças, informou a Hassan, enquanto tentava virá-lo para o elevador, porém Hassan tentava olhar para Meredith – Continue andando.

Colocaram Hassan dentro do elevador e apertaram um botão para subir.

— Senhor Presidente... – Meredith chamou de forma inaudível a Omar Hassan.

Os dois se entreolharam diante da gritaria. Viraram Meredith e começaram a leva-la para outro local.

— Anda! – gritaram a ela.

— Vocês estão cometendo um grande erro – Meredith avisou.

Hassan olhou para Meredith uma última vez antes das portas do elevador se fecharem.

05:10:25

Capítulo Dois

05:14:42

Omar Hassan estava em sua suíte tentando entender como Meredith podia ser culpada; Rob Weiss e Allison Taylor estavam na sala de negociações conversando sobre a jornalista suspeita; Meredith Reed era levada por seguranças da ONU a um local seguro.

— O nome da suspeita é Meredith Reed – Brian Hastings disse a Chloe, Arlo e outros analistas em uma sala de reuniões na CTU enquanto todos viam a foto da suspeita em uma televisão de LCD – Ela é uma jornalista fazendo um perfil sobre o Hassan. Nossa teoria operacional é que ela tem usado o acesso para conseguir informações que depois fornece ao assassino. A Srta. Reed está sendo trazida para cá. Espero que ela nos forneça o nome do assassino para que possamos pôr um fim nessa ameaça. Consultem o relatório digital para mais detalhes.

Dana Walsh abriu a porta da sala e entregando um PDA a Hastings avisou:

— Sr. Hastings, acabei de receber o relatório preliminar da equipe que fez a varredura no apartamento de Reed.

— Obrigado- o diretor disse, pegando o PDA.

— Eles recuperaram os arquivos roubados da ONU no laptop dela – Dana informou sentando-se à mesa – Encontramos o nosso infiltrado. Também há um arquivo enorme que não conseguiram abrir. Foi codificado por um software de alto nível de inteligência.

— Quero que descubra o que tem nesse arquivo.

— Estão trazendo para cá.

— Ótimo.

Chloe, sempre pronta a defender sua opinião, levantou a mão e perguntou:

— Licença, mais alguém acha que tudo aconteceu rápido demais e fácil demais?

— As coisas aqui acontecem mais rápido do que você está acostumada – Dana ponderou.

— Eu sei, você vive me lembrando disso. Talvez eu não seja tão eficiente em todos os softwares, mas eu sei que quando alguém não quer ser encontrado, não deixam fragmentos ligados a um endereço de IP.

— A não ser que tenha pressa e seja obrigada a improvisar.

— Talvez, mas então por que teria todo esse trabalho e depois deixaria um sinal rastreável?

— Aonde você quer chegar? – Hastings perguntou.

Chloe rapidamente expôs sua opinião:

— É como se alguém quisesse que a encontrássemos.

Arlo Glass moveu seus olhos de um lado para o outro, considerando seriamente o que Chloe tinha falado. Ela continuou:

— Acho que devemos continuar examinando até termos certeza que temos a pessoa certa.

— Já examinamos de todos os lados – Hastings disse, preferindo o caminho mais fácil – Agradeço suas preocupações. Vamos levar em consideração.

— Em outras palavras “Cale a boca, Chloe”.

— Não foi o que ele disse – Dana falou à Chloe.

— Mas foi o que eu ouvi.

— Certo, você já deu sua opinião – o Sr. Hastings disse, tentando acabar com a discussão – Chloe, obrigado... Certo, só mais uma coisa: a Srta. Reed passou muito tempo trabalhando no Oriente Médio. Quero que cruzem dados com grupos de terroristas conhecidos. Vamos trabalhar.

Todos se levantaram, pegando seus laptops e pastas, indo embora da sala.

— Chloe – Hastings chamou, fazendo um sinal para que ela ficasse.

Quando todos foram embora, o diretor da CTU disse:

— Jack Bauer deve chegar a qualquer momento. Quero que você cuide do depoimento.

— Está me tirando do meu posto?!

— Acho que será melhor utilizada interrogando o Sr. Bauer. Vá se preparar.

— Obrigada, senhor – Chloe respondeu como ordenava a etiqueta, se retirando da sala.

No túnel da CTU, a SUV preta de Cole Ortiz parou em frente às portas automáticas de vidro com uma freada brusca. Jack e Cole saíram do veículo assim como três outros agentes. Cole falava no celular.

— Eu estou entrando agora – ele disse no celular.

05:16:53

Um segurança pegou a bolsa de Jack e apontou para um detector de metais por onde Jack deveria passar. Cole entrou diretamente pelas portas, pois já trabalhava na CTU.

— Dê-me os números das residências de Torres e Johnson – Cole pediu ainda no telefone – ninguém fala com suas esposas antes de mim.

Cole desligou e parou no início de um corredor onde se encontrou com o Sr. Hastings.

— Cole, antes de fazer seu relatório, quero que saiba de algo.

— O quê? – o diretor das Operações de Campo perguntou, enquanto cinco metros atrás deles, um segurança passava um detector pelos braços abertos de Jack Bauer.

— Sei que você pediu mais reforços no solo, mas o que aconteceu, já aconteceu – Hastings disse em baixa voz para não ser ouvido, porém Jack estava escutando atentamente cada palavra da conversa – Se você registrar sua opinião, vai iniciar uma revisão interna da Divisão. Vai prejudicar nosso progresso.

O homem que estava com o detector disse a Jack:

— Tudo limpo.

Jack pegou sua carteira de volta e sua bolsa, transpassando-a pelo ombro. Ele foi em direção a Cole e Hastings e cumprimentou o diretor, enquanto este se apresentava.

— Sr. Bauer, Brian Hastings.

— Sinto muito pela perda dos seus homens.

— Obrigado – o diretor disse e os três começaram a caminhar pelos corredores – Ficará feliz em saber que a dica do Victor Aruz deu em algo.

— Achou o infiltrado.

— O nome é Meredith Reed. É uma jornalista fazendo a cobertura da Conferência de Paz. Roubou arquivos dos servidores da ONU. Não chegaríamos tão longe sem a sua ajuda. Obrigado.

Os três pararam de andar perto da entrada do Bullpen.

— Chloe O’Brian aguarda para interroga-lo – Hastings avisou – Não deve demorar.

— Só preciso fazer uma ligação antes – Jack pediu, pegando seu celular – Com licença.

Ele se afastou dos dois, entrando por um outro corredor

— Precisamos ficar em sintonia – Hastings disse a Cole – Acho que você me compreende.

— Senhor, está pedindo para que eu minta em meu registro.

— Estou pedindo que exerça discrição. Há um assassino à solta. Não preciso que duvidem da minha administração.

— Talvez o senhor prefira fazer o registro no meu lugar.

No estacionamento subterrâneo do hotel, Stephen colocou Teri no banco traseiro do carro, enquanto Kim ia pegar as chaves do carro com o manobrista. O celular começou a tocar e ela atendeu:

— Alô?

— Oi, querida, sou eu – Jack disse.

— Oi, onde você está?

Jack demorou cinco segundos para responder, pois sabia que Kim não ia gostar nem um pouco da resposta.

— Na CTU.

— CTU? Isso tem a ver com o que está acontecendo na ONU? – Kim perguntou, já a par da prisão de Meredith Reed que havia sido transmitida ao vivo pela TV.

— Sim, mas eu prometo que não vou demorar. Só preciso fazer uma declaração. Depois vou encontrá-la no aeroporto.

— Pai, o que está acontecendo? – Kim perguntou em tom preocupado e sério.

— É complicado. Te explico quando encontrá-la.

— Tá, mas vamos pegá-lo aí.

— Querida, não precisa.

— Mas eu quero. Fica no caminho.

— Certo, vou pedir a Chloe um passe de segurança. Até mais. Tchau.

Jack desligou o celular. Stephen caminhou até sua esposa e perguntou:

— Quem era?

— Meu pai.

— Está tudo bem?

— Não tenho certeza.

Jack olhou pelo corredor e pôde ver a alguns metros Cole e Hastings discutindo. Hastings dizia:

— Todos disseram que você era jovem demais e inexperiente para as Operações de Campo, mas eu acreditei que você pudesse cumprir o dever.

Jack começou a caminhar em direção a eles, enquanto continuava escutando.

— Preciso que demonstre a mesma fé que depositei em você. Mantenha nossa discussão fora do registro.

— Onde está a Chloe? – Jack perguntou, interrompendo a conversa.

— Oh, lá em cima. Primeira sala à direita – o diretor explicou.

Jack olhou para ambos e acenando coma cabeça disse:

— Obrigado.

Ele saiu de perto deles e seguiu seu caminho para a sala de Chloe, enquanto Hastings ainda dizia a Cole:

— Pense no que eu disse.

O diretor da CTU afastou-se do diretor das Operações de Campo, enquanto este mantinha uma expressão de descontentamento.

05:19:15

Jack chegou ao topo das escadas da CTU. Virou à direita e abriu a porta de vidro de uma sala e entrou.

— Oi – ele disse a Chloe, que estava sentada em uma mesa de frente para um laptop.

— Oi, Jack.

— Desculpe, mas precisamos ser rápidos – ele avisou, sentando-se em uma das cadeiras.

— Ouviu sobre a repórter que prenderam?

— Sim.

— Eu acho que eles renderam a pessoa errada. Meredith pode ser inocente.

— Hastings disse que achou evidências no computador dela.

— Sim, mas eu acho que esses arquivos foram plantados – Chloe falou e pegando uma pasta abriu-a, mostrando algumas fotos para Jack – Olha, imagens de tráfego ao redor do apartamento dela – Jack pegou a foto e olhou-a, vendo Davros de costas indo em direção à porta de um prédio – Cinco minutos antes da invasão ao servidor da ONU, esse homem entrava pela porta de serviço do prédio – Jack olhou a próxima foto e viu Davros perto do meio-fio – Dez minutos depois, ele foi embora. E se ele entrou no apartamento e usou o laptop dela para invadir os servidores?

Jack Bauer balançou a cabeça em dúvida.

— Parece um pouco vago.

— Não acha que a encontramos muito rápido e fácil demais?

— Por que está me mostrando isso? Por que apenas não mostra ao Hastings?

— Hastings acha que eu não sei o que faço. Ele não me escuta, talvez te escute – Chloe disse em tom de reclamação.

— Chloe, eu estou aqui para fazer o relatório. Kim está chegando. Vou viajar para Los Angeles coma minha família em uma hora.

— Só estou pedindo para falar com ele. Vai demorar dez minutos. Se o assassino armou para Reed a fim de criar uma distração, significa que temos a pessoa errada sob custódia. Que ainda tem alguém infiltrado na delegação do Hassan.

Jack apenas respondeu em voz baixa:

— Sinto muito, Chloe, isso não é problema meu... Por favor, vamos continuar com o relatório.

Chloe comprimiu os lábios, sinal de que estava chateada.

— Nenhuma fatalidade ainda foi confirmada – anunciava o noticiário a qual a TV da suíte de Hassan estava ligada e onde Dalia e Kayla assistiam.

Omar Hassan entrou na suíte no 25º andar do prédio da ONU.

— Até agora não há evidências que comprovem a teoria de que os dois incidentes estão relacionados – dizia o âncora – Estamos esperando uma posição oficial do porque da prisão da repórter.

Kayla, a filha do presidente kamistanês se levantou do sofá e foi até seu pai dando-lhe um forte abraço.

— Estou tão feliz que você esteja bem – ela disse – Não acredito que isso aconteceu.

Eles se largaram do abraço e passando a mão pelo rosto de sua filha, Omar comentou:

— É difícil acreditar, Kayla.

— Eu só não entendo como essa mulher chegou tão perto de você – Dalia insinuou, sentada no sofá.

— Ela é uma jornalista. Tinha passe de segurança – Omar explicou.

— Todos os repórteres têm?

— Não, mas ela escrevia um artigo sobre mim. Você sabe disso, Dalia. Ela recebeu acesso especial.

— Você concedeu a ela esse acesso?

— Sim, eu concedi. Eu concedi. Esse artigo era importante para mim. Eu queria que minha mensagem atingisse o povo americano.

Dalia se levantou, gritando:

— Esse é a única razão?!

— Sim, essa é única razão. Que outra razão? Se você tem algo a dizer, diga.

Dalia apontou seu dedo indicador para seu marido e gritou:

— Você nunca devia tê-la deixado entrar em nossas vidas! Você nos colocou em perigo!

Chorando, Kayla pediu:

— Por favor, parem...

Bateram à porta. Um agente da segurança abriu e Farhad Hassan entrou em passos largos, pedindo:

— Com licença. Acabei de falar com o diretor de imprensa da ONU. Vamos fazer uma declaração pública.

— Certifique-se de que eu a veja primeiro.

Farhad olhou para a cunhada, para o irmão e para a sobrinha. Percebeu que havia algo errado com eles, então pediu delicadamente:

— Omar, posso falar com você a sós?

O presidente da RIK foi em direção a porta do apartamento, sendo seguido pelo seu irmão. Kayla olhou para sua mãe e com lágrimas nos olhos, balançou a cabeça, saindo, deixando Dalia imersa em seus pensamentos.

05:21:59

Do lado de fora do apartamento, Omar seguiu pelo corredor, enquanto seu irmão pedia aos dois seguranças que lhes dessem licença. Os dois obedeceram, indo embora para o lado oposto do corredor. Farhad foi até seu irmão que estava parado, encostado à uma das paredes, e avisou:

— Eles levaram Meredith Reed à CTU.

— Não consigo acreditar que ela seja parte disso. Que razão ela teria para ajudar no meu assassinato?

— Que razão todo americano tem para fazer qualquer coisa? Dinheiro. Acharam arquivos incriminadores o computador dela, Omar. Quer você acredite ou não, ela é culpada. E ela vai falar. Preciso saber o que ela vai falar sobre a relação de vocês. Seja honesto comigo. Me conte tudo.

Envergonhado, Omar fez o que seu irmão pediu:

— Começou há três meses em B’Dar... Nos conhecemos numa entrevista no... quarto do hotel dela... Dalia e eu estávamos brigando.

— Ela te usou, Omar. Quase custou a sua vida. Se esse caso se tornar público irá destruir sua credibilidade e tudo pelo que você lutou.

— Não precisa me falar as consequências.

— Se ela falar com os americanos, você precisa negar – Farhad disse e levantando os ombros, completou – Nunca aconteceu. Omar, eu sei que você pensa em fazer o certo e confessar. Isso seria um erro terrível.

Omar o encarou e fugindo do assunto, avisou:

— Eu preciso ficar com a minha família.

Omar virou-se e começou a caminhar em direção ao seu apartamento. Farhad observou-o sair de seu campo de vista e foi até um ponto mais isolado ainda do corredor. Não havia ninguém no corredor. Ele aproveitou a oportunidade e pegou seu celular, digitando um número.

— Alô? – disse a voz no outro lado da linha.

— Acabei de falar com o meu irmão. Falei para ele negar o caso.

No banco traseiro de um táxi amarelo, que avançava pelas ruas de Nova York, Davros perguntou no celular a Farhad:

— O que ele disse?

— Que vai considerar.

— Pressione-o mais. As declarações da repórter tem que ser descreditadas. A CTU tem que continuar acreditando que ela é o meu contato aí dentro.

— Eu entendo.

— Só precisamos de mais uma hora. Estarei pronto até lá.

Davros desligou afastou o celular da orelha, finalizando a ligação.

05:24:07

Capítulo Três

05:28:25

Davros continuava no táxi, seguindo por Nova York; Dalia Hassan estava no apartamento da ONU pensando sobre a repórter; e Jack Bauer estava fazendo seu relatório com Chloe.

No Bullpen da CTU, Dana Walsh foi até a estação de Arlo Glass.

— Arlo.

— Oi... – ele disse sem tirar os olhos do seu telão com imagens das câmeras dos drones.

Dana colocou sua mão nas costas de Arlo e pediu:

— Eu preciso da sua ajuda para decifrar aquele arquivo que encontraram no computador da Reed. Isolei uma parte. Deveria estar na sua tela.

— Que filtros você quer que eu use? – Arlo perguntou se recostando na cadeira e olhando para o corpo de Dana.

— Esquire 9.

— Sem problemas.

— E, Arlo, você já pode parar de olhar para os meus peitos.

— Você não vai largar o Capitão América e achar um homem de verdade?

Dana o encarou e respondeu em tom de brincadeira:

— Ainda estou pensando nisso.

— Bom, não demore muito, posso perder o interesse.

O celular de Dana Walsh começou a tocar.

— Me avise o que você encontrar – ela avisou e se afastou dele. Atendeu o celular se identificando – Dana Walsh.

Não houve resposta.

— Alô?

Do outro lado da linha, Kevin Wade, um jovem de vinte e poucos anos, rosto fino, bigode, cavanhaque e cabelo desgrenhado, estava ao lado de sua van estacionada perto do rio Hudson. Ele deu uma risada e disse:

— Dana Walsh... eu gosto disso. Escolheu um bom nome para si. Melhor do que o nome que a sua mãe escolheu.

— Quem quer que seja, eu já disse para parar de me ligar – Dana reclamou, indo para um canto mais isolado do Bullpen.

— Sim, eu sei o que você me disse, Jenny.

— Meu nome não é Jenny - ela disse baixinho – Você deve estar me confundindo com outra pessoa.

— Ah, é mesmo?

— Sim.

— Isso é engraçado, porque você parece muito com uma garota que eu conheci em Rock Springs. Chamada Jenny Scott. Ela era selvagem na época. Costumávamos fazer algumas loucuras.

— Da próxima vez que você me ligar, eu juro que vou chamar a polícia.

— Sério? Eu tenho uma ideia melhor. Vamos chama-los agora mesmo.

— Eu vou desligar – Jenny avisou, vendo Cole Ortiz se aproximando dela.

— Não desligue esse telefone. Eu estou te avisando, Jenny, não—

Dana fechou o flip de seu celular, encerrando a ligação. Ela fechou os olhos, preocupada, cruzou os braços. Cole chegou perto dela:

— Oi.

Ela sorriu largamente e o abraçou bem forte.

— Eu já estava indo te procurar – Dana falou – Estou tão feliz em saber que você está bem.

Ela largou do abraço e com um pouco de vergonha, disse:

— Me desculpe por estar tão distante, ultimamente. É que... eu nunca quero perdê-lo.

Cole sorriu e a confortou:

— Não se preocupe.

Os dois voltaram a se abraçar.

Dois seguranças arrastavam Meredith Reed pelos corredores de entrada da CTU, cada um segurando-a por um braço.

— Por que eu estou aqui? – ela perguntou irritada – Isso é um engano. Droga, quem é o encarregado aqui?!

Brian Hastings se aproximou deles, falando em seu comunicador:

— Diga ao Sr. Weiss que ainda não temos nada. Mas ligarei para ele assim que tivermos novidades. Obrigado.

Hastings apertou um botão em seu controle e desligou o comunicador. Meredith Reed o fitava raivosamente.

— Brian Hastings, diretor da CTU – ele disse se apresentando.

— Olha, eu não sei quem vocês acham que são, mas eu exijo um advogado e quero saber do que estou sendo acusada.

— Achamos os arquivos, Srta. Reed.

— Que arquivos? – ela perguntou em tom de ignorância.

— No seu computador, na sua casa.

— Vocês vasculharam a minha casa? – ela perguntou indignada.

— Achamos seis arquivos no seu laptop que foram roubados dos servidores da ONU.

— Que documentos?

— Relacionados com a segurança feita para a Conferência de Paz. Você está aqui porque sabemos que você faz parte do plano para assassinar o Presidente Hassan.

Meredith arregalou os olhos e deu uma risada de desprezo.

— O quê?

— Por favor, não desperdice o meu tempo – o Sr. Hastings avisou – A evidência contra você é sólida.

— Não, não. Me ouça, você está cometendo um erro – Reed disse se defendendo. Nesse momento, Jack Bauer saiu da sala onde estava e foi até o parapeito do segundo andar, olhando para baixo, bem onde estava Hastings e Reed conversando. Ele prestou atenção no diálogo, cada vez mais propenso a acreditar em sua amiga – Se há arquivos no meu computador então alguém os colocou lá.

— Não, você me ouça. Eu estou te dando uma chance de se ajudar, contando-me o que sabe. Preciso do nome do assassino, como achá-lo, aí conversamos sobre você não pegar a pena de morte.

— Você está errado – ela se limitou a dizer, percebendo que não ia persuadi-lo – Você pegou a pessoa errada.

— Levem-na ao interrogatório, biometria completa – Hastings ordenou aos dois seguranças – Estarei lá daqui a pouco.

Os dois seguranças começaram a conduzir Reed pelos corredores, enquanto Hastings foi passando pelo Bullpen. Jack Bauer ajeitou sua bolsa transversal no corpo e foi rapidamente até a escada, descendo em passos largos. Foi se aproximando de Hastings e chamou-o.

— Sr. Hastings.

O diretor da CTU parou de andar e se virou.

— Já terminou com o seu depoimento? – Hastings perguntou, colocando um papel sobre uma mesa.

— Sim, posso falar com você?

— Não é uma boa hora, Sr. Bauer – Hastings falou, pegando alguns arquivos em outra mesa.

— Meredith Reed pode estar te dizendo a verdade – Jack informou.

— Isso veio da O’Brian? Já disse para ela esquecer isso.

— É, ela não esqueceu. Mas encontrou isso – Jack disse, mostrando uma pasta com as fotos de Davros entrando e saindo do apartamento do prédio de Reed – Vieram de câmeras de tráfego perto o apartamento da Srta. Reed. Veja os horários. Mostra esse homem entrando pela entrada de serviço quase cinco minutos antes da invasão aos servidores da ONU. E aqui mostra ele saindo do prédio logo após.

— E?

— Chloe falou com o síndico e não há nenhuma entrega ou manutenção marcada para hoje.

— E essa é a sua evidência? Eu estou olhando para um prédio onde vivem dezenas de pessoas. Entram e saem o dia inteiro – Hastings disse impaciente, se afastando de Jack e indo para um canto mais isolado do Bullpen. Jack o seguiu e recomendou:

— Entendo, só estou te dizendo que é possível que alguém tenha invadido o apartamento e usado o computador dela para roubar os documentos. Tudo que preciso são de dois agentes para verificar.

— Me desculpe, não estou convencido. E não posso desperdiçar recursos valiosos só porque Chloe O’Brian tem uma teoria.

Jack se aproximou bem de Hastings e disse baixinho:

— Chloe e eu trabalhamos juntos por um bom tempo. E confie em mim: ela é alguém que se deve escutar. Ela é muito boa no que ela faz. E se ela estiver certa, os assassinos te despistaram. E você vai se dar mal.

— Sr. Bauer, eu tenho a suspeita em mãos. Com um arquivo tão incriminador, que ela o codificou. E é nisso que vou me focar agora, com licença.

Hastings se retirou, subindo as escadas que levavam para perto da sua sala. Jack olhou para o Bullpen e sussurrou para si:

— Eu odeio esse lugar...

Jack viu Chloe descendo as escadas. Ele foi na direção dela e se encontraram na base das escadas. Começaram a caminhar para a entrada da CTU.

— Ele não vai ajudar, não é? – Chloe perguntou. Jack entregou-lhe a pasta com as fotos – Temos que seguir essa pista, se eles estiverem com a pessoa errada.

— Chloe, eu fiz o que você me pediu. Falei com o Hastings. Se ele não quer ouvir, problema dele. Não é problema meu e pra ser honesto, nem seu.

— E a ameaça ao Presidente Hassan? E a Conferência de Paz? – Chloe perguntou, preocupada com os possíveis atentados. Eles pararam de andar e olharam um para o outro – Nada disso importa para você?

— E se Hastings sabe de alguma coisa que você não sabe?! – Jack disse bem alto.

Chloe abaixou a cabeça. Jack vacilou o olhar e arrependido, disse baixinho:

— Me desculpe.

Ele olhou para as portas de entrada.

— A Kim está me esperando lá fora. Preciso ir.

Jack começou a ir em direção às portas de vidro.

— Jack... – Chloe chamou, em tom de decepção.

Bauer virou-se e olhou para sua amiga.

— Você já me procurou para ajuda-lo muitas vezes e eu nunca te decepcionei. Você já me pediu para fazer coisas loucas e eu sempre estou ao seu lado... Por favor, me ajude... Eu não posso fazer isso sozinha...

Jack se sentia triste por não poder ajudar Chloe. Ele segurou as lágrimas e com uma voz trêmula disse baixinho:

— Me desculpe, e-eu não posso...

Os olhos de Chloe ficaram úmidos. Jack continuou:

— Não dessa vez... Não eu...

Jack fungou o nariz e virou-se, indo em direção à recepção. Chloe comprimiu os lábios. Jack passou pelos balcões de entrada.

05:34:39

Atravessou as portas de vidro e olhou para o túnel subterrâneo da CTU. À direita estava estacionado o carro de Stephen. As portas estavam abertas e Stephen, Teri e Kim estavam do lado de fora do carro. Teri começou a correr na direção de seu avô.

— Oi, querida – Jack disse se agachando.

— Olha o que eu fiz! – Teri gritou animada, subindo nos braços de Jack.

— Me deixa ver.

Kim começou a caminhar na direção deles. Estava de braços cruzados, sorrindo, embora seus olhos estivessem úmidos. Teri mostrou-lhe uma folha sulfite com várias pessoas desenhadas de forma “stick” com cabelos espetados de cores estrondosas.

— Essa sou eu – Teri disse apontando para as respectivas pessoas do desenho – Esse é o papai, essa é a mamãe e esse é você! É você, vovô!

— É lindo, querida.

— Pai, precisamos conversar – Kim falou com uma voz séria.

— OK... – Jack respondeu. Ele abaixou Teri de seu colo e disse a ela – Por que você não vai ao carro com o papai? Já estamos indo.

Teri correu até os braços de seu pai. Jack olhou para Kim e perguntou, preocupado:

— O que há de errado?

— Falei com a Chloe e ela me disse o que está acontecendo.

— A Chloe te ligou?

— Não, eu liguei para ela, porque você não quis me falar o que está acontecendo. Então resolvi descobrir sozinha. Eu sei sobre as ameaças à conferência de Paz e que a CTU pode estar com o suspeito errado. O que está acontecendo?

— Chloe me pediu para falar com o diretor da CTU. Ele não se convenceu. Acha que tem a pessoa certa.

— Mas e se ele estiver errado? E se ainda há alguém na ONU trabalhando com esse assassino?

— É isso que a Chloe acha – Jack disse, mantendo sua opinião fora do assunto.

— E o que você acha? – Kim perguntou, surpresa com o fato de seu pai estar indiferente a esses possíveis ataques terroristas.

— Eu acho que não é problema meu – Jack disse e passando por Kim, começou a ir em direção carro.

— Pai!

— O quê? – Jack disse se virando.

— Eu não acredito em você. Eu nunca te vi ignorar algo assim.

Realmente, sempre que havia algum possível atentando terrorista, Jack não media esforços para impedi-lo, mesmo que isso significasse sacrificar seu emprego, sua liberdade e sua vida.

— Se você precisa ficar – Kim disse em tom compreensivo - tudo bem, você não está me decepcionando. Eu entendo.

— Querida, eu quero ir com vocês.

— Eu sei que você quer, e não há nada que eu queira mais do que você vir com a gente. Eu esperei tanto por esse dia. Nós dois esperamos. Mas e se algo terrível acontecer e você poderia ter feito algo para impedir? Eu não acho que você conseguiria viver consigo mesmo.

Jack olhou para as portas de vidro da CTU. Lá dentro ele podia ver sua amiga olhando para ele, implorando ajuda com o olhar.

— Pai... Está tudo bem, você pode ir...

Jack olhou para Chloe de novo. Girou a cabeça e olhou para o carro de Stephen. Ele podia ver Teri, brincando com seu urso de pelúcia. Ela estava feliz, sorrindo infantilmente. Jack desejou um dia poder ser feliz que nem ela. Olhou para Kim novamente. Abaixou a cabeça por um momento pensando e por fim disse:

— Assim que eu terminar aqui, eu pegarei um avião e estarei em Los Angeles com vocês, eu prometo.

— Apenas tenha cuidado, por favor – Kim disse com lágrimas escorrendo pelo rosto.

— Venha cá – Jack disse, abraçando-a bem forte – Eu terei cuidado.

Ele beijou-a no cabelo e se afastando, disse:

— Eu tenho que contar para a Teri.

Kim o segurou e disse:

— Não, não, deixa que eu conto. OK?

Jack olhou para sua filha e com o dedo removeu uma lágrima que estava nos olhos dela.

— Vá – ela pediu.

— OK – ele concordou, mal sabendo que aquela seria última vez na vida que estava vendo sua filha.

Ele passou por ela e começou a caminhar em direção à entrada da CTU. Kim começou a ir para o carro, enxugando suas lágrimas.

— Você está bem? – Stephen perguntou.

— Estou bem, temos que ir.

Stephen agachou-se e disse a Teri, que estava sentada dentro do carro:

— Querida, o vovô tem coisas importantes para fazer e não pode ir com agente hoje. Ele virá assim que puder.

— Mas ele disse que vinha hoje! – Teri reclamou, também triste.

— Não, não hoje – Kim explicou – Mas em breve, OK? Certo, vamos.

Dentro da CTU, Chloe sorriu ao ver Jack vindo em sua direção:

— Jack.

— Precisamos saber aonde o seu suspeito foi depois de sair do apartamento da Srta. Reed. Comece a checar câmeras de tráfego.

05:37:47

Capítulo Quatro

05:42:04

Naquele momento, um monitorador de polígrafo estava em uma sala checando pelo computador os batimentos cardíacos, o nível elétrico do suor e a velocidade de respiração de Meredith Reed que estava em uma sala totalmente fechada ao lado, sentada em frente a uma mesa com seus dedos ligados à eletrodos.

Hastings entrou na sala onde estava o monitorador de polígrafo e viu-o mexendo num computador que mostrava imagens de Reed dentro de uma sala fechada.

— Eu preciso criar um linha padrão de seus pontos cardiológicos, respiratórios e dérmicos – o monitorador de polígrafo informou – Então, deixe-a confortável, comece com perguntas leves.

O diretor acenou com a cabeça e retirou seu crachá com a credencial. Colocou-o sobre a mesa e saiu da sala e foi até um ambiente cilíndrico fechado com três metros de altura e dois metros de diâmetro. Era a sala de interrogatório. Uma seção das paredes da sala se levantou e Hastings entrou num ambiente revestidos de paredes brancas com uma mesa branca no centro, onde estava sentada Reed. A porta-parede abaixou e os dois ficaram a sós no cômodo. Hastings deu a volta pela mesa, olhando para a suspeita.

— Srta. Reed, acho que precisamos de um novo começo – o diretor disse, agachando-se na altura da mesa branca – Você alega que os arquivos foram colocados no seu computador. Tudo bem, estou disposto a dar o benefício da dúvida. Mas você precisa colaborar. Fale comigo. Me ajude a entender o seu lado da história. É justo?

Hastings sorriu. Um sorriso verdadeiro, mas que não combinava com sua eterna expressão impaciente. Meredith acenou positivamente com a cabeça.

— Então, quando foi a primeira vez que você encontrou o Presidente Hassan? – Hastings perguntou, se levantando.

— Há uns seis meses atrás, em uma conferência de ministros de petróleo. Solicitei uma entrevista e ele aceitou. Nos encontramos no saguão do hotel dele, umas duas vezes. Uma hora, uma hora e meia no máximo.

As portas dos elevadores se abriram. Omar e Farhad saíram do elevador acompanhados de dois seguranças e foram seguindo em direção à sala de negociações, enquanto Allison Taylor e Rob Weiss já os esperavam dentro da sala. O trânsito na frente do edifício-sede da ONU estava rápido e sem maiores problemas.

— Senhora Presidente – Rob disse, indicando a porta atrás dela.

A presidente se virou e com um largo sorris apertou a mão de Omar Hassan, enquanto o irmão, Farhad ia para um outro canto.

— Senhor Presidente, gostaria de agradecer por querer continuar nas negociações. Sei que é um risco.

— Senhora Presidente, não lhe é estranho fazer sacríficos pelas suas crenças. Se o preço da paz for a minha vida, que seja.

— Estamos fazendo tudo em nosso poder para evitar isso. Apertamos as medidas de segurança aqui e a prioridade da CTU é descobrir quem o quer matar.

— Fico muito agradecido... Senhora Presidente, a mulher que levou sob custódia...

— A repórter, Meredith Reed – Allison disse completando a frase do presidente da RIK. Farhad lançou um olhar preocupado para Omar.

— Sim. A CTU tem certeza de que ela está envolvida nisso.

— Pelo que sei, as provas contra ela são bem incriminatórias.

— Descobriram as motivações dela?

— Ela está sendo interrogada enquanto falamos. Farei com que qualquer informação que consigamos seja compartilhada com vocês, assim que for possível.

05:44:32

Na sala onde Jack fizera o depoimento, Jack estava olhando para uma TV de plasma que mostrava vídeos das câmeras internas da sala de interrogatório. Sem áudio. Jack observava Hastings interrogar Reed.

— Jack – Chloe disse, sentada em uma mesa à frente de um laptop – Procurei em todas as câmeras de tráfego em um raio de cinco quadras do apartamento de Meredith Reed e não existe nenhum vestígio de para onde o suspeito possa ter ido.

— Você pode verificar as fontes?

— A CTU tem drones em toda a cidade. Posso olhar nos arquivos e ver se acho algo.

— Onde estão?

— Estão na estação do Arlo. Eu não tenho acesso.

— Consegue hackear?

Chloe demorou um tempo para responder, pois apesar de ela conseguir hackear, ela se perguntou se deveria fazer isso.

— Consigo.

— Então faça isso.

A analista começou a digitar rapidamente em seu teclado, tentando invadir o banco de dados da estação de Arlo.

— Que bom que você está aqui – Chloe disse – Obrigada por ficar.

— Pois é...

— Em breve, tudo vai acabar e você poderá ir para a Califórnia.

Jack apenas acenou com a cabeça. Do computador de Chloe, três bipes foram ouvidos.

— OK, eu entrei.

Bauer foi até o lado da Chloe, de frente para o laptop. Ela clicou em um arquivo e abriu-o, mostrando um vídeo.

— Um drone o filmou, saindo do apartamento da Reed.

Ela pausou o vídeo. Mostrava Davros em frente a um prédio e um táxi estacionado na rua. Chloe marcou Davros com o mouse para que o vídeo o seguisse.

— OK, avance – Jack pediu.

Chloe acelerou o vídeo. Davros foi até o meio-fio e levantou a mão. Um outro táxi parou à sua frente e ele entrou.

— Ele pegou um táxi quando saiu – Chloe constatou.

— Consegue rastrear o táxi?

O táxi já estacionado saiu e o de Davros também seguiu em frente.

— Não, fica fora da visão do drone.

— Ok, recue.

Chloe foi voltando o vídeo.

— Pare.

Ela pausou o vídeo no momento em que o táxi de Davros estava prestes a partir.

— Aproxime.

O vídeo focou mais no táxi em questão. Jack apontou para o capô do táxi.

— É isso que eu quero ver. Aproxime mais.

No canto do capô estava uma placa de metal com alguns escritos e um símbolo de uma companhia de táxis.

— Está vendo a identificação? – Jack perguntou – Ligue na Central de Táxis e descubra aonde ele foi – Jack pegou sua bolsa transversal em cima da mesa e passou-a pelo tronco – eu não vou seguir esse cara sem armas.

— O depósito de armas fica no nível C. Você tem que colocar sua mão no scanner.

Jack colocou a palma da mão direita sobre o scanner ao lado do computador da Chloe para que ela pudesse falsificar um acesso ao depósito de armas.

— Delete isso assim que eu tiver saído.

A tela do computador mostrou uma mão azul com as pontas dos dedos em volta de quadrados vazios. O computador emitiu um curto bipe. Jack retirou a mão do scanner.

— Te ligo assim que estiver a caminho.

Jack abriu a porta da sala e saiu a passos largos.

Dana Walsh olhou ao redor, sentada em sua mesa no Bullpen. Ela retirou discretamente seu comunicador e levantou-se. Arlo Glass virou sua cadeira e viu-a indo para trás de um painel preto. Levantou os ombros e voltou a trabalhar.

Dana foi para trás do painel preto e começou a digitar um número em seu celular.

05:46:14

Colocou seu celular perto da orelha. Em uma casa imunda no Brooklyn, uma mulher na cozinha ouviu seu telefone tocar. Estendeu a mão e pegou o fone.

— Alô? – ela disse, atendendo.

— Ruth, sou eu – Dana disse quase sussurrando.

— Jenny?

— Preciso falar com você. Está sozinha?

— Ah, só com o meu filho – Ruth disse, olhando para seu bebê de dois anos andando pela casa – O que está acontecendo? Não ouvi nada de você desde o Natal.

— Kevin Wade me achou – Dana informou em tom baixo – Ele tem ligado aqui no trabalho há dois dias. Droga, Ruth, você contou onde eu estava?

— Não, não contei.

— Você é a única que sabe a verdade. A única que sabe onde eu estou.

— Juro, não falei com o Kevin. Nem sabia que ele tinha saído da prisão.

— Então com ele me encontrou?

— Eu não sei.

Dana respirou fundo. Fechou os olhos.

— OK – ela murmurou.

— E o que ele quer? – Ruth perguntou – Por que ele está te ligando?

— Ele não disse. Mas está ameaçando contar a todos a verdade sobre mim. Isso vai destruir minha carreira... – Dana disse baixinho. Ela sorriu e contou à sua irmã – Eu estou prestes a me casar, Ruth. Com um cara muito legal.

— Deve ter algo que você possa fazer. Não pode deixar esse desgraçado estragar a sua vida!

— Eu não sei o que fazer... Eu estou com medo de perder tudo...

Dana Walsh fungou o nariz e passou a mão pela testa suada.

— Eu tenho que ir. Te ligo mais tarde.

Guardou o celular no bolso e quando foi sair de trás do painel, foi surpreendida por Arlo, de pé, à frente dela, fitando-a com suspeita.

— Onde esteve? Andei te procurando.

— Você decriptou o arquivo?

— Não, ainda estou trabalhando nisso. Eu descobri algo bem esquisito. Alguém hackeou minha estação e veio de dentro da CTU.

— O que estavam fazendo?

— Vendo os arquivos dos drones.

Dana acenou com a cabeça e ordenou:

— Rastreie isso. Descubra quem foi.

Ela passou por Arlo e caminhou em direção à sua mesa.

05:48:07

Capítulo Cinco

05:52:24

Naquele momento, o monitorador de polígrafo estava observando os batimentos cardíacos de Reed em sue computador; Allison, Omar, Farhad e Rob estavam discutindo alguns assuntos na sala de negociações; e Meredith e Hastings estavam na sala de interrogatório.

— Quando você estava em B’Dar (capital da República Islâmica do Kamistão) – continuou Hastings – fazendo o perfil do Presidente Hassan, você foi abordada por alguém hostil ao regime dele?

— Não.

— Ninguém a subornou?

— Não.

— Pressionou para colaborar?

— Já falei que não.

Hastings se agachou à altura da mesa. Olhou para Reed, que se recusava a olhar para ele.

— Então tudo o que você fez foi entrevistar o Presidente Hassan?

— Sim, foi tudo

O monitorador de polígrafo apertou um botão em seu comunicador e disse à Hastings:

— A resposta dela provocou uma reação fora do padrão.

Hastings fechou a cara e já de pé, acusou:

— Você está mentindo, Srta. Reed.

— Não estou.

Hastings colocou as duas mãos na mesa e gritou:

— Me conte o que realmente aconteceu em B’Dar! Como está conectado ao plano de assassinato?!

— Eu não tenho nada a ver com nenhum plano para assassinar o Presidente Hassan. Por que eu teria?

— As motivações são irrelevantes! Apenas me interessa deter o assassino.

— Eu também - Meredith Reed afirmou – Se alguém realmente está tentando matar Hassan, você tem que parar de perder tempo comigo e encontra-los.

05:53:20

O assassino pago para matar Hassan caminhou até a entrada de uma simpática casa de madeira de dois andares. Davros subiu os cinco degraus da escada e olhou pelo vidro da porta para ver dentro da casa. Carregava uma mochila por apenas uma das alças. Tocou a campainha por alguns segundos. Uma mulher abriu a porta.

— Oi, Mikey. E aí?

— Maggie, desculpe ter vindo sem avisar. Posso entrar?

Davros entrou na casa e foi inspecionando-a com o olhar enquanto Maggie fechava a porta.

— O Jim já foi trabalhar? – ele perguntou.

— Não, acabou de sair do banho.

— Ótimo, porque preciso perguntar uma coisa antes de ele sair. Tipo um favor.

— Tudo bem – Maggie disse e foi até a base das escadas que levavam ao segundo andar da casa. Ela gritou – Ei, amor!

— Sim? – disse uma voz vinda lá de cima.

— Mike Farmer está aqui. Ele precisa falar com você.

— Ei, Mikey! – Jim gritou.

— Oi! – Davros gritou mesmo sem ver seu interlocutor.

— O que você está fazendo aqui? O seu turno é só amanhã – Jim constatou.

— É, era sobre isso que eu queria falar.

— Desço já.

— Não precisa ter pressa.

Maggie começou a caminhar até a sala de TV, enquanto oferecia:

— Quer café?

— Claro.

Ela foi para a cozinha, passando pela sala de jantar, enquanto Davros via que a televisão estava mostrando imagens aéreas de um helicóptero pegando fogo em cima de um edifício. Ele se orgulhou de ser ele o realizador daquela façanha. Maggie chegou à sala de jantar com duas xícaras de café nas mãos. Uma ela colocou na mesa e a outra deixou na mão para ir tomando.

— Obrigado – Mike agradeceu, deixando sua mochila no chão ao lado da mesa e sentando-se em uma cadeira assim como Maggie.

— Ouviu mais alguma coisa sobre o que aconteceu na coletiva de imprensa? – Maggie perguntou, enquanto desligava a TV.

— Não, apenas o que estão dizendo na TV.

— Tenho que dizer que estou tão orgulhosa de você e o Jim e todos os rapazes da Delegacia. Vocês vão fazer parte da História.

— Ah, eu não sei – Davros disse com modéstia – Estamos apenas orientando o trânsito.

— Vocês estão na Unidade de Segurança Pessoal da ONU. É mais que orientar o trânsito. Vocês podem até aparecer na TV.

— Não seria incrível? – Davros comentou sorrindo.

— Seria mesmo – Maggie disse, também sorrindo.

— Ótimo.

Maggie deu um gole na sua xícara de café.

05:54:56

Dana Walsh atravessou alguns corredores da CTU. Ela abriu a porta de uma sala envidraçada e olhou para o monitorador de polígrafo. Olhou para as TVs de plasma que mostravam o interrogatório.

— Eu preciso falar com o Sr. Hastings.

— Ele está em sessão – o monitorador avisou.

— É importante – Dana insistiu.

O monitorador apertou um botão em seu comunicador e disse:

— Desculpe, Sr. Hastings, eu estou com Dana Walsh aqui, ela diz ser a verdade.

Hastings olhou para Meredith e sussurrou:

— Você não vai sair dessa sala até me contar a verdade. Independente do tempo que leve.

Uma seção da prede se levantou e o diretor da CTU saiu da sala de interrogatório. Um segurança entrou e a porta-parede abaixou. Hastings abriu a porta da sala onde estava o monitorador e Dana. Entrou.

— Desculpe incomodá-lo, senhor, mas julguei ser urgente.

— Do que se trata?

— Jack Bauer.

Jack tinha grande habilidade para se acostumar ao meio que estava. A CTU tinha sido construída com tantos corredores fechados de forma a evitar que alguém que não trabalhasse lá conseguisse se locomover facilmente. Jack já tinha pegado o jeito do negócio e chegou ao nível C bem rápido. Foi até o fim de um longo corredor e se deparou com uma grande porta de aço. Colocou a mão direita em um scanner na parede. A tela começou a identificar as digitais de Jack.

— Vai logo – ele sussurrou.

A porta destravou e um apitou foi emitido. Jack abriu a porta rapidamente e entrou. O depósito de armas era um ambiente pintado de branco em todos os lados. Tinha quatro metros de largura por quatros metros de comprimento por três de altura. Todas as paredes tinham grades brancas presas com várias pistolas, revólveres, rifles, fuzis, bazucas e RPG’s fixadas. Em um dos cantos havia uma grande caixa cheia de todo tipo de munição e granadas. No centro, uma mesa com oito walkie-talkies e uma maleta embaralhadora de chamadas.

Jack pegou alguns pentes na caixa e guardou-os na bolsa. Foi até uma das paredes e pegou uma Heckler and Koch USP Compact, sua pistola preferida. Colocou um pente nela e puxou o slide para trás. Perfeito. Guardou na cintura do jeans, na parte de trás. Seu celular começou a tocar. Jack pegou-o e olhou de quem era a chamada. Atendeu:

— Sim?

— Falei com o operador da companhia de táxis – Chloe informou, olhando alguns dados em seu computador – O motorista ativou a saída na Rua 23ª Oeste, na esquina noroeste da Broadway e Queens.

— Tem detalhes? Número de apartamento? Endereço?

— Através dele não, mas vou continuar analisando as filmagens aéreas.

— OK, Broadway e 23ª Oeste. Ligo quando chegar lá – Jack disse, confirmando.

Ele desligou o celular e guardou no bolso. A porta da sala foi violentamente aberta e dois seguranças entraram com armas em punhos.

— Mãos no ar! Agora! Contra a parede!

Jack levantou os braços e se encostou de frente para a parede. Um dos seguranças tirou a bolsa transversal de Jack, enquanto Hastings e Cole Ortiz entravam na sala. O segurança passou a bolsa para Hastings, que por sua vez a passou para Cole.

— Não se mexa! – um dos seguranças ordenou.

Ele começou a revista-lo, passando a mão pela cintura de Jack. Tirou a pistola que ele tinha pegado e a entregou para Cole.

— Ele estava com isso, senhor.

— Nós cuidamos disso agora – Hastings avisou – Podem sair.

Enquanto abandonavam o depósito de armas, Jack desencostou da parede, enquanto Hastings o repreendia:

— Eu te disse para deixar isso de lado.

— Chloe rastreou o homem das câmeras para outro local.

— Não achamos que o senhor seguiria a investigação.

— Então não teve outra escolha senão roubar armas do depósito?

— Você investigaria, se eu pedisse?

— Não vou mais debater isso.

— Você ignorou uma pista sem saber se era boa ou ruim – Jack acusou, irritado.

— Leve-o à detenção.

Cole hesitou por um momento.

— Leve-o! – Hastings ordenou impaciente.

— Vamos lá – Cole disse, chamando Jack.

Jack foi seguindo cole Ortiz enquanto dizia a Hastings:

— Tenho certeza de que a Presidente Taylor ficará muito feliz em saber o que houve com o meu informante quando tentei entrega-lo.

— Como é? – Hastings perguntou, indignado.

Jack e Cole pararam de andar e Bauer se explicou:

— Cole tentou proteger aquela área com mais homens, ao invés disso, você enviou um drone que falhou na detecção do míssil que matou meu informante e dois dos seus homens. Cole não falou nada e eu também não irei falar, desde que me deixe continuar na investigação.

— Então, agora, você está me chantageando.

— Você forçou a minha barra, agora eu estou forçando a sua.

— Você não quer fazer isso, Bauer.

— Não, não quero. Eu quero voar para Los Angeles com a minha família, mas você não está me dando outra alternativa.

Hastings olhou para Cole. O diretor das Operações de Campo endireitou a postura e encarou o diretor da CTU. O Sr. Hastings olhou para Jack e avisou:

— Quer perder o seu tempo caçando fantasmas, tudo bem. Tenho que impedir um assassinato. Devolva a bolsa dele.

Jack pegou sua bolsa e passou-a pelo tronco, ordenando:

— Preciso da Chloe controlando as operações.

— Tudo bem, ela é toda sua.

Pegou a pistola que estava com Cole.

— Obrigado – Jack disse, saindo da sala.

— Não tem nada a dizer sobre o que ele falou? – Cole perguntou, mais num tom de provocação do que de para saber a opinião de Hastings.

— A única pista viável está sentada em nossa sala de interrogatório. E é a única forma de chegarmos ao assassino.

— E aí, Mikey? – Jim disse, chegando à sala de jantar, com cabelos molhados e vestindo sua roupa de policial.

— Oi – Davros disse se levantando e indo até Jim – Ouça, surgiu uma coisa de última hora e eu não posso cumprir o meu turno amanhã. Então eu estava pensando se poderíamos trocar de turno.

— Não haveria problema, mas nós temos uma reunião com o professor do Sean amanhã. Ele disse que Sean se comporta mal na sala de aula, mas eu não acredito.

Maggie sorriu e comentou:

— O Jim sempre está protegendo o Sean. Mas se ele precisa de ajuda, eu quero dá-la para ele.

— Onde ele está? – Davros perguntou.

— Foi passar a noite na casa da avó.

— Eu não estou protegendo ninguém – Jim disse, indo em direção À mesa de jantar e ficando de pé ao lado dela.

Davros ficou de costas para os dois e comprimiu os lábios e as mãos com raiva. Relaxou-os e virando-se, perguntou finalmente:

— Então o que você está dizendo? Que não pode trocar de turno.

— Isso é bem importante – Jim avisou – Sinto muito.

— Pois é... – Davros disse, colocando a mão atrás do corpo , pegando sua pistola que estava na cintura da calça e apontando a arma para Jim – Eu também sinto.

Maggie se levantou num salto.

— Ei, Mikey! – Jim gritou assustado.

— Maggie, eu quero que você se sente.

Boquiaberta, a mulher de Jim obedeceu e sentou-se em uma cadeira da mesa de jantar.

— Jim, tem um rolo de fita adesiva na minha mochila – Davros ordenou. Jim olhou para baixo e viu a mochila no chão bem nos pés dele – Corte um pedaço e coloque na boca da Maggie.

Jim estava paralisado. Braços levantados e expressão de espanto.

— Faça isso – Davros mandou.

Jim se agachou lentamente sob a mira da arma de Davros e abriu a mochila de “Mike Farmer”. Enquanto isso, Jack entrou em um carro no túnel subterrâneo da CTU. Deu a partida e acelerou pelo túnel. Jim pegou o rolo e cortou uma tira da fita adesiva com a mão. Levantou-se. O Presidente Omar Hassan continuava negociando com Allison Taylor na sala de negociações; Meredith Reed permanecia na sala de interrogatório. Jim se levantou e foi até Maggie.

— Desculpa, amor – Jim disse.

— Meu Deus – Maggie sussurrou. Jim colocou o pedaço de fita na boca de sua mulher, enquanto Jack Bauer fazia seu caminho pelo túnel da CTU.

— Agora – Davros exigiu – Pegue o telefone, ligue para o Capitão Ravello, diga que está doente e que eu vou te substituir hoje.

— Escute, seu filho da mãe, eu não vou—

Antes que terminasse a frase, Davros disparou calmamente contra a perna de Maggie. Ela deu um grito abafado, enquanto sangue saía pela sua perna.

— Não! – Jim gritou, se agachando perto de sua esposa que tinha seus gritos de dor abafados pela fita adesiva – Qual é o seu problema?! O que você está fazendo?!

— Da próxima vez, eu não erro o osso.

Jim olhou para a coa de Maggie. Havia um furo e sangue não parava de sair.

— Faça a chamada – Davros mandou.

Jim esticou os braços e se levantou rapidamente, enquanto, quase chorando dizia.

— OK, eu faço a chamada. Apenas deixe minha esposa em paz, está bem?

Davros continuou apontando a pistola para Jim.

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